“Precisamos de um acordo universal, significativo e robusto em Paris”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon. O líder ONU acrescenta que temos de acabar com a “diplomacia arriscada” porque “um momento político como este pode nunca mais surgir”. As declarações surgem na abertura do Evento dos Líderes, a primeira sessão da Conferência do Clima que se iniciou esta segunda-feira.

O presidente francês, François Hollande, considera que a presença dos líderes e chefes de Estado é um sinal de esperança e incita todos os participantes na conferência a deixar um “planeta preservado e viável” para as “nossas crianças”. “Aqui, em Paris, vamos decidir o futuro do planeta.” O presidente francês lembra que o maior problema não é ter grandes objetivos e falhar, mas ser pouco ambicioso e não fazer mais do que isso. Para reforçar a importância deste encontro e do acordo que dele pode resultar, Hollande afirma que as alterações são, a par do terrorismo, um dos principais desafios da humanidade.

O presidente da 21ª Conferência das Partes (COP21), Laurent Fabius, lembra que existem três condições-chave para o sucesso desta COP. “A primeira condição para o sucesso já foi preenchida, por causa da vossa presença”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros e do Desenvolvimento Internacional francês. “A segunda condição é que queríamos agentes não governamentais cá representados.” A terceira condição apontada por Laurent Fabius reforça o apelo de Ban Ki-Moon: “Temos de chegar a um acordo climático universal e ambicioso até ao final da COP21”.

Mais do que um acordo universal e ambicioso, a União Europeia defende um acordo vinculativo. Também a presidente brasileira, Dilma Rousseff, defende que o acordo tenha força de lei e que tenha uma cláusula de revisão periódica. Defendo a ajuda aos países mais pobres, Dilma Rouseff referiu que esta não depende apenas da ajuda financeira. Uma das propostas para esta COP é a partilha de conhecimentos na área da inovação no aproveitamento de energias renováveis.

Com tantos líderes mundiais juntos, o presidente norte-americano, Barack Obama, considera que: “Aqui, em Paris, podemos mostrar ao mundo do que somos capazes quando estamos juntos”. “Somos a primeira geração que sente o impacto das alterações climáticas e a última que pode mudar a situação.” Para Barack Obama os argumentos antigos para a inação foram quebrados e isso “deve dar-nos esperança”.

Um acordo abrangente, eficaz e igualitária é defendido pelo presidente russo, Vladimir Putin. O líder mundial lembrou que: “Ao reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, podemos modernizar-nos e duplicar o PIB do nosso país”. Além disso, Putin reforçou o papel importante que têm as florestas enquanto “pulmões do planeta”.

“Poucas vezes tantas pessoas puseram a sua confiança nas mãos de tão poucos”, disse o príncipe Carlos, do Reino Unido. A chanceler alemã, Angela Merkel, reforçou que há milhares pessoas que depositaram as esperanças no que está a ser feito em Paris e que por isso devem ser cumpridas as promessas feitas em Copenhaga.

Nas declarações no Evento dos Líderes, a secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês para United Nations Framework Convention on Climate Change), Christiana Figueres, concordou com Angela Merkel: “Os olhos de milhares de pessoas em todo o mundo estão postos em vocês”. “Caros amigos, nunca antes uma responsabilidade tão grande esteve nas mãos de tão poucos.”

Mas além das grandes potencias mundiais, o sucesso da COP depende também das economias emergentes como a China, Índia ou Brasil. O presidente chinês, Xi Jinping, disse que o acordo de Paris deve ter em conta a situação dos países em desenvolvimento. Mas a China já não é colocada a par dos países realmente pobres. “O princípio da responsabilidade compartilhada deve ser preservada”, disse Xi Jinping. “Precisamos de mais diálogo para chegar a um acordo coletivo.” Para o presidente chinês a “COP21 não é uma meta, mas um novo ponto de partida”.

Apesar das dificuldades económicas que enfrentam, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, disse que o ambiente é um tema forte na agenda política e social do país. Tsipras também defende um acordo vinculativo, transparente e responsável. Mas acima de tudo, o primeiro-ministro grego alerta que: “Não podemos ter decisões políticas para o futuro do planeta baseadas na maximização do lucro. Não podemos entregar as nossas vidas aos mercados e às corporações multinacionais”.

O presidente dos Estados Federais da Micronésia, Peter Christian, começou o discurso afirmando que os pequenos Estados-ilha, como aquele, não precisam de ser convencidos sobre as alterações climáticas, porque já estão convencidos. Não fossem os Estados-ilha algumas das regiões do planeta que correm mais riscos com as alterações climáticas, em particular com a subida do nível da água. “Como disse [na reunião das] Nações Unidas em setembro, não vou negociar nos pormenores, porque aí é onde o demónio é rei.”

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Última atualização às 21h00