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O que é a Tensão Pré-Menstrual (TPM)?

É um conjunto de sintomas físicos e emocionais que afeta 75% a 80% das mulheres em idade fértil, ou seja, que têm menstruação. As alterações são físicas e emocionais.

“Mas é importante distinguir a TPM da Perturbação Disfórica Pré-Menstrual (PDPM)”, avisa Ana Telma Pereira, psicóloga, investigadora e docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. A PDPM, mais grave, é uma doença psiquiátrica que afeta 5% a 10% das mulheres na idade reprodutiva.

“Os sintomas psicológicos são predominantes e mais intensos e debilitantes, ou seja, causam bastante sofrimento e impactam negativamente a vida profissional, familiar e social. Os mais comuns são ansiedade, tristeza, irritabilidade, angústia, labilidade emocional (choro fácil) e dificuldade em manter a atenção e em tomar decisões.”

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Como se manifesta a TPM?

Os sintomas são variados e podem ser de natureza física ou psicológica. Como dores de cabeça e desejo por certos alimentos, sobretudo doces. Como ansiedade e alterações de humor.

Ana Telma Pereira dá alguns exemplos. “Os sintomas psicológicos podem ser emocionais (por exemplo, desânimo, irritabilidade), cognitivos (por exemplo, dificuldade de concentração, sensação de ‘névoa mental’) e comportamentais (comer mais do que o habitual, por exemplo).”

Os sintomas físicos mais comuns são a fadiga, a sensação de inchaço nas mamas e barriga, e dores ligeiras de cabeça e abdominais.

“Como a maioria das mulheres tem alguns destes sintomas nos dias que antecedem a menstruação e mantém o seu funcionamento habitual, podemos dizer que é uma condição ‘normal’.”

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Quanto tempo surge antes da menstruação?

Os sintomas da TPM e da PDPM ocorrem geralmente nos cinco a sete dias que antecedem a menstruação, na chamada fase lútea tardia do ciclo menstrual, em que ocorre uma diminuição dos níveis de progesterona e estrogénio.

Os sintomas terminam após o início da menstruação, geralmente no primeiro ou segundo dia. Em algumas mulheres mantêm-se durante a menstruação, mas com menor intensidade e interferência na sua vida.

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E quais as causas?

Os sintomas da TPM são causados pelas flutuações hormonais típicas do ciclo menstrual, nomeadamente nos níveis de estrogénio e progesterona, que influenciam o funcionamento do cérebro e do corpo. “O que causa esta maior sensibilidade às flutuações hormonais são, essencialmente, fatores genéticos.”

Apesar destas flutuações dos níveis hormonais se manifestarem em todas as mulheres, apenas uma minoria tem PDPM. Nestes casos, os sintomas são causados por uma maior sensibilidade e reatividade cerebral às alterações hormonais do ciclo menstrual e aos seus efeitos nos neurotransmissores que regulam o humor e a resposta ao stress (como a serotonina e o cortisol).”

“As mulheres com PDPM não têm necessariamente níveis anormais de hormonas ováricas; o que têm é uma maior sensibilidade às alterações normais do funcionamento cerebral (em regiões cerebrais responsáveis pela regulação emocional e cognitiva) que ocorrem em todas as mulheres, mesmo as saudáveis, ao longo do ciclo menstrual”, diz Ana Telma Pereira.

 

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Reduzir o stress pode atenuar os sintomas? Ou isso é um mito?

Sim, reduz. Porque o stress influencia o funcionamento dos sistemas hormonais e neuro-químicos.

E há uma outra questão que se coloca: uma depressão não diagnosticada pode ser um fator? “As mulheres com depressão podem sofrer um agravamento dos sintomas durante a fase lútea (dias antes da menstruação), mas também têm sintomas fora do período pré-menstrual”, diz a psicóloga.

Alguns dos fatores de risco são comuns à depressão e à PDPM.

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Os sintomas psicológicos podem ser recorrentes e preocupantes?

Os sintomas da TPM geralmente não são preocupantes.

Mas os sintomas psicológicos da PDPM podem ser preocupantes. Isto porque, explica Ana Telma Pereira, “a sua intensidade e gravidade podem prejudicar o funcionamento da mulher ao ponto de ficar incapacitada (de trabalhar, estudar ou de assumir outras responsabilidades) nos dias que antecedem a menstruação”.

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E como é que a TPM influencia a saúde mental das mulheres?

De diversas maneiras. Desde logo, na regulação do humor e emoções, que ficam mais negativos. Com consequências diretas no trabalho, na capacidade de concentração, na produtividade, na gestão de tarefas — podendo até significar dias de baixa. Com repercussões no bem-estar familiar, devido ao cansaço, à irritação, à pouca vontade de conversar.

A saúde mental ressente-se. “No funcionamento cognitivo, nas relações interpessoais e conjugais, na capacidade de lidar com o stress e resolver problemas da vida quotidiana, de trabalhar/estudar de forma produtiva e satisfatória e de contribuir para sua comunidade.”

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Poderá ser necessário apoio psicológico?

A TPM não requer tratamento, apenas alguma aceitação da mulher que passa por isso e compreensão da parte das pessoas com quem vive e lida. Mas se provocar sofrimento emocional elevado é conveniente procurar ajuda.

Na PDPM é outra história. “Para a PDPM pode ser necessário apoio de um profissional, nomeadamente quando a mulher vivencia a perturbação com elevado sofrimento e/ou quando esta tem impacto relevante em alguma ou em várias esferas da sua vida.”

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Há prevenção e tratamento para as dores físicas e psicológicas?

Na prevenção, hábitos ligados a um estilo de vida saudável podem diminuir a intensidade dos sintomas. Exercício físico regular, alimentação equilibrada, sono adequado, gestão do stress.

No tratamento, os anticoncetivos hormonais podem reduzir os sintomas. “Para o tratamento da PDPM recomenda-se o tratamento com antidepressivos (como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina). Mas o ideal é que, além de medicação, a mulher possa também beneficiar de terapia cognitivo-comportamental”, acrescenta a psicóloga.