Será verdade que foi o Presidente dos EUA, Donald Trump, quem nomeou Abraham Weintraub, antigo ministro da Educação do Brasil, para um cargo no Banco Mundial? Esta é a alegação de uma publicação no Facebook, com data de 23 de junho (com centenas de partilhas e milhares de visualizações), assinalada como potencial notícia falsa — o que se verifica.

A publicação em causa, assim como outras dedicadas ao mesmo tema, têm sido partilhadas abundantemente na rede social, mas o seu conteúdo é manifestamente falso. Não foi Donald Trump quem nomeou Abraham Weintraub para o cargo de diretor executivo da instituição sediada em Washington e que é governada pelos seus 189 estados-membros.

O conteúdo já teve milhares de visualizações

É precisamente aos Estados-membros do Banco Mundial que compete a indicação de nomes para cargos na organização e foi o que aconteceu no caso de Weintraub, como a própria instituição confirmou à imprensa brasileira. Foi o governo brasileiro de Jair Bolsonaro que propôs o nome do seu antigo ministro da Educação para o cargo de diretor executivo para o grupo de países (conhecido como constituency) que o Brasil lidera no Banco Mundial e que integra também a Colômbia, o Equador, Trinidad e Tobago, Filipinas, Suriname, Haiti, República Dominicana e Panamá.

Ainda assim, para a indicação passar a nomeação de facto é necessário a aprovação da referida constituency — embora, neste caso concreto, fosse apenas um pró-forma, já que o Brasil tem a maioria dos votos naquele grupo de países.

O conselho administrativo do Banco Mundial tem 25 assentos, e os cinco principais acionistas — França, Alemanha, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — indicam, cada um deles, um diretor executivo. Os demais Estados-membros são representados pelos restantes 20 diretores executivos, definidos por blocos (os constituency), organizados por critérios geopolíticos.

Há várias publicações sobre o tema

A aprovação de Weintraub acabou por chegar a 30 de julho. “O Banco Mundial confirma que o sr. Abraham Weintraub foi eleito pelo grupo de países (conhecido como constituency) representando Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago para ser diretor executivo no Conselho do Banco”, informou a instituição liderada pelo norte-americano David Malpass. A confirmação foi notícia em vários jornais brasileiros, como no Estado de São Paulo ou no site da Globo.

A nota do Banco Mundial continuava — “O sr. Weintraub deve assumir o seu cargo na primeira semana de agosto e cumprirá o atual mandato que termina em 31 de outubro de 2020, quando a posição será novamente aberta para eleição” —, lembrando ainda que “diretores executivos não são funcionários do Banco Mundial, são nomeados ou eleitos pelos representantes dos nossos acionistas”.

Conclusão:

Falso. Foi o governo de Jair Bolsonaro que nomeou Abraham Weintraub, como o próprio Banco Mundial confirmou à imprensa brasileira, para o cargo de diretor executivo, e não Donald Trump, como se sugere.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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