Uma banda desenhada com a imagem de um homem a ser vacinado está a ser amplamente partilhada nas redes sociais. Durante a conversa, e entre várias perguntas, o cidadão questiona-se sobre o conteúdo da injeção e a enfermeira responde: “Está proibido saber, a fórmula é confidencial.” A afirmação da profissional de saúde da banda desenhada é falsa.

Para analisar estas declarações, vamos focar-nos no exemplo da vacina Comirnaty, da Pfizer e da BioNTech, que foi a primeira contra a Covid-19 a estar pronta e a ser aprovada, nomeadamente pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), no dia 21 de dezembro de 2020 (com a ressalva de que a disponibilização das informações sobre as vacinas aprovadas são comuns aos vários medicamentos).

O site da EMA tem um documento (que pode ser consultado aqui) que mostra, inclusivamente em português, todas as informações sobre a vacina. O que significa, desde logo, que os factos estão disponíveis para consulta na internet e são acessíveis a qualquer cidadão que pretenda analisá-los.

Assim, e voltando ao conteúdo específico da banda desenhada que está a ser analisada, é importante referir que até os componentes desta vacina são passíveis de serem consultados e, portanto, não são confidenciais, ao contrário daquilo que se afirma na conversa entre a enfermeira e o cidadão. No ponto 6 do documento está descrita a lista de substâncias usadas para compor a vacina:

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Além desta informação, é possível encontrar outros dados como a validade, a temperatura a que deve ser guardada e até a eficácia da vacina, que está nos 95% após testes num grupo de 44 mil voluntários.

Vacina da Pfizer com 95% de eficácia. Farmacêutica vai pedir aprovação de emergência

A questão da imunidade é outro dos temas referidos na banda desenhada: o homem pergunta se está, finalmente, imunizado, e a enfermeira responde que não, que ainda pode ser contagiado pelo novo coronavírua. A este respeito, a Direção-Geral da Saúde (DGS) explica no seu site que, “neste momento, não é possível avaliar por quanto tempo” a proteção conseguida com a toma da vacina “se irá manter, se haverá necessidade de administrar reforços e qual a sua periodicidade”. E revela ainda que, mesmo após a toma da vacina, o cidadão “só se deve considerar protegido de doença sete dias depois da toma da segunda dose da vacina”, sendo “este o período que dá garantia de uma resposta robusta por parte do seu sistema imunitário”.

Mas a DGS esclarece ainda que qualquer pessoa, mesmo depois de vacinada, “deve continuar a observar todas as medidas preconizadas para a sua proteção e contenção da transmissão, incluindo o uso de máscara”, até porque ainda se desconhece “se estar vacinado impede infeção assintomática”.

“As vacinas conferem proteção contra a doença, mas desconhece-se ainda se protegem também contra a infeção e a possibilidade de, mesmo sem sintomas, transmitir o vírus a outro. As máscaras e o distanciamento evitam que possamos infetar outras pessoas caso sejamos portadores do vírus sem o saber”, informa a autoridade de saúde, num apelo a que todos continuem a cumprir as normas de segurança e higiene que estão estabelecidas.

Conclusão

As fórmulas das vacinas contra a Covid-19 não são confidenciais, como sugere a afirmação de uma enfermeira que surge numa banda desenhada amplamente partilhada nas redes sociais. As informações sobre o medicamento são públicas, estão até em português no site da Agência Europeia do Medicamento e podem ser consultadas por qualquer cidadão. Como tal, o conteúdo da banda desenhada, nomeadamente a ideia de que a fórmula da vacina é confidencial, é falso.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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