Uma publicação feita a 24 de maio alerta para o facto de, nessa mesma semana, já duas mulheres terem sido perseguidas, agredidas e violadas na zona do Pinhal Novo, concelho de Palmela, distrito de Setúbal. Já mais de 1.200 pessoas partilharam esta publicação que foi vista também por mais de 32 mil utilizadores. Mas a informação que nela consta está errada. A Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal nega ter registo de alguma situação deste género.

A publicação feita no Facebook tem mais de 400 partilhas

A publicação começa por alegar que as vítimas são esperadas à porta do Pingo Doce por “um homem de estrutura média, careca e de cor”, que depois supostamente as persegue “até casa, para depois as assaltar, agredir e ainda violar”. A autora da publicação faz ainda um pedido: não só de “máximo cuidado”, mas também para que os utilizadores do Facebook “partilhem isto ao máximo para as pessoas terem cuidado”.

O Observador questionou a PJ de Setúbal, que, dado o tipo de crime e a localização, seria a entidade responsável por investigar este alegados crimes. Mas, fonte deste órgão de investigação criminal, disse não ter conhecimento das situações que a publicação alega nem tem “nada parecido” em investigação.

Ora, a publicação não passa assim de um rumor que acaba por gerar alarme social. Daí que autoridades aconselhem os utilizadores, mesmo aqueles que partilham este tipo de informações com o intuito de ajudar a população, não o façam e que liguem à polícia para se informarem.

Publicações deste género são bastante frequentes. Em dezembro de 2019, circulou um alerta no Facebook onde se lia que “uma rapariga foi violada, outra assaltada e uma outra sofreu uma tentativa de assalto” em Coimbra. Na altura, o Observador contactou a PSP que negou ter registo destas situações.

Fact check. Um rapariga foi violada, outra assaltada e outra sofreu uma tentativa de assalto em Coimbra?

Também em julho de 2019, um texto publicado num blogue alegava mesmo que o Alentejo já não era um local seguro para mulheres devido a uma onda de violações e de assédio sexual que se estava a registar na zona. O texto dizia mesmo que os alegados agressores eram “pessoas aparentemente ligadas ao fluxo migratório”. Também na altura o Observador questionou a GNR que revelou haver registo de duas violações de janeiro a julho daquele ano — mas que negou haver um aumento relevante já que, no mesmo período do ano anterior, o registo era de um crime de violação.

Também a PSP explicou que está “atenta a estes fenómenos” e, se houvesse um aumento significativo de violações naquela zona, teria conhecimento dele — o que não era o caso. O próprio Ministério Público afastou o cenário “de aumento de participações de crimes sexuais praticados por estrangeiros e emigrantes” e a PJ, a quem compete a investigação destes crimes, negou que o cenário descrito pela publicação seja real.

Fact Check. O Alentejo deixou de ser um lugar seguro para as mulheres por causa de violações?

Conclusão

Uma publicação alerta para o facto de duas mulheres terem sido perseguidas, agredidas e violadas na zona do Pinhal Novo. Segundo a mesma, as vítimas são esperadas à porta do Pingo Doce por “um homem de estrutura média, careca e de cor”, que depois supostamente as persegue “até casa, para depois as assaltar, agredir e ainda violar”.

O Observador questionou a PJ de Setúbal que disse não ter conhecimento das situações que a publicação alega nem “nada parecido” em investigação.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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