É um grupo de países que começou com os membros fundadores Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, dando origem ao acrónimo BRICS. No último ano, novos Estados, como o Egito ou a Arábia Saudita, integraram este lote de Estados com economias emergentes.
No início de julho, o Rio de Janeiro recebeu a 17.ª cimeira dos BRICS. Este encontro ficou marcado não só pela ausência do Presidente russo, Vladimir Putin (que não foi ao Brasil devido ao mandado de captura internacional emitido pelo Tribunal Penal Internacional), mas também pelo clima de competição com os Estados Unidos da América (EUA), por conta das tarifas aplicadas pelo líder norte-americano, Donald Trump.
Neste sentido, surgiram várias publicações nas redes sociais que alegam que a Índia abandonou os BRICS. Os posts, que são acompanhados com uma imagem com a manchete de uma notícia do jornal Globo, indicam que Nova Deli estaria a negociar um “acordo comercial” com os Estados Unidos para reduzir a tarifas para menos de 20%. “Esse pacto colocaria a nação do sul da Ásia numa posição favorável em relação aos seus pares na região.”
Nesse contexto, as publicações relacionam essas negociações com a alegação de que a Índia estaria prestes a abandonar os BRICS. “Índia pula do barco furado que se tornou os BRICS”, lê-se nos mesmos posts. Esta saída de Nova Deli do grupo de países estaria a levar o Brasil “para o isolamento mundial”.
Além disso, os membros do Partido Trabalhista de Lula da Silva teriam alegadamente dito que um dos filhos de Jair Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, teria “feito a cabeça” da Presidente indiano para que o país abandonasse os BRICS.
No entanto, não existe qualquer informação oficial que comprove as alegações das publicações. Se é certo que a manchete do jornal Globo é verdadeira, isso não significa que as negociações entre a Índia e os Estados Unidos levem os dirigentes indianos a abandonar o grupo de países.
Em resposta escrita ao Observador, a presidência brasileira dos BRICS negou também as informações que estão a circular nas redes sociais. “A informação de que a Índia teria deixado os BRICS é falsa”, esclarece.
Na mesma resposta, a presidência do Brasil sublinha que Nova Deli “continua a participar ativamente” em todas as iniciativas do grupo. Adicionalmente, “de acordo com o calendário rotativo já acordado com os Estados-membros”, será a Índia que “assumirá a próxima presidência dos BRICS em 2026”.
Conclusão
É falso que a Índia vá sair dos BRICS. Não existe qualquer sustentação em informações credíveis que comprove as alegações que são feitas nas publicações das redes sociais. A presidência brasileira do grupo garantiu ao Observador que estas informações são “falsas”: “A Índia continua a participar ativamente em todas as iniciativas do grupo”.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.