No passado dia 6 de janeiro, a invasão do Capitólio, nos Estados Unidos, por alegados apoiantes de Donald Trump tornou-se num dos eventos que vão marcar este início de 2021. Depois do tumulto, que resultou inclusivamente em mortes, Joe Biden acabou por ser confirmado como novo presidente norte-americano pelo Congresso, que certificou a votação do Colégio Eleitoral. O ainda presidente dos EUA pode mesmo chegar a sofrer um processo de destituição.

Essa invasão acabou por inundar as redes sociais de publicações virais, muitas delas falsas. No mesmo dia, surgiu a seguinte publicação: “Isto não são patriotas, são ‘antifas’ infiltrados. Não está fácil aquilo nos EUA, mas o plano segue, confiem”. Trata-se, no entanto, de um rumor sem sustentação, que acabou por ser desmentido por diferentes fact-checkers. Ou seja, é falso.

Publicação falsa alega que invasão foi feita por antigas infiltrados.

Para começar, é necessário dizer que o FBI (Federal Bureau of Investigation) não encontrou nenhuma evidência de que houvesse ligação entre os protagonistas do assalto Capitólio e os grupos de ‘antifas’ (abreviatura de antifascistas) ativos no país. A confirmação veio do diretor-assistente daquele organismo, Steven D’Antuono, depois de terem sido levantadas essas suspeitas pela ala republicana. “Não há nenhum indício que aponte para isso, neste momento”, referiu, citado por diferentes órgãos de comunicação social dos EUA, como a revista Forbes ou a ABC News. Por outro lado, alguns dos manifestantes estão já a ser detidos. Tanto que o organismo máximo de segurança dos EUA pediu ajuda para apanhar os suspeitos da invasão. Nesse comunicado lançado no site oficial daquela instituição, nunca é referido que o FBI esteja a procura de “antifas infiltrados”.

Não há, portanto, nenhuma evidência do que é dito pela publicação original, mesmo que esse rumor tenha sido partilhado milhares de vezes nas redes sociais, quer via Twitter quer via Facebook. Também o jornal norte-americano The New York Times se debruçou sobre este caso, chegando à conclusão de que não existem provas que comprovem os rumores que circulam na internet.

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Estas informações falsas chegaram a circular noutros países, como no Brasil. Isto porque as fotografias divulgadas no post inicial, apontavam para tatuagens que ligavam os invasores ao movimento Antifa, o que não é verdade. Por exemplo, o símbolo que surge na segunda imagem pertence, de facto, a uma personagem de um videojogo (Dishonored, lançado em 2012) e não ao movimento indicado, como descobriu a agência Lupa. O fact-checker brasileiro também considerou estas informações como falsas.

Apesar de Donald Trump ter acabado por condenar o ato violento contra uma das instituições democráticas mais importantes dos EUA, a verdade é que o ainda presidente norte-americano demonstrou apoiar os manifestantes na sua conta oficial de Twitter — entretanto banida —, enquanto se recusava a aceitar uma transição pacífica de poder para Joe Biden. “Nós amamo-vos, vocês são especiais”, escreveu, tal como reportou o Observador. E, como se sabe, caso os invasores fossem antifas (activistas antifascistas, mais ligados à esquerda), não teriam o apoio nem a complacência de Trump, que se tem demonstrado contra este movimento — considerando até que deveriam ser rotulados como organização terrorista —, que não apoia a atual presidência.

Na internet, surgiu também a hipótese de Jake Angeli, o homem que chegou às notícias por estar vestido como um viking, pertencer ao Black Lives Matter. A Reuters verificou esta informação e esclareceu que, na verdade, Angeli pertence ao QAnon, teoria da conspiração de extrema direita. Aliás, é um confesso apoiante de Trump, tendo já estado presente em comícios do ainda presidente. O seu apoio, algo eufórico, foi filmado via Twitter:

Conclusão

Durante esta semana, várias publicações  transmitiram a ideia de que a invasão do Capitólio foi feita por antifas infiltrados, esse rumor não foi comprovado. Aliás, o próprio FBI já veio desmentir essa suspeita, estando agora à procura de capturar os manifestantes. Depois, o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda que tenha condenado a invasão e pedido para que os manifestantes voltassem a casa, não deixou de declarar o seu apoio via Twitter (sendo que a conta foi, entretanto, banido). Seria estranho, no mínimo, que o governante republicano estivesse a apoiar antifas, um movimento que é contra a sua presidência. Estas informações difundidas nas redes sociais foram, entretanto, verificadas por diferentes fact-checkers internacionais, que as consideraram como falsas e infundadas.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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