Foi um dos episódios que marcaram a campanha para as presidenciais. Depois de um evento em Setúbal, na quarta-feira, 21 de janeiro, André Ventura voltou a ser alvo de protestos por parte de algumas dezenas de populares. Acompanhado de seguranças, o líder do Chega teve de ser retirado rapidamente do local no momento em que começaram a chover objetos na sua direção. Nas horas seguintes, começou a circular a tese de que apenas tinham sido atiradas pastilhas e embalagens de rebuçados contra Ventura. É isso que sustenta uma das muitas publicações no Facebook a respeito desse momento. Numa imagem do carro de Ventura, junto ao qual são visíveis duas embalagens de smints, é acompanhada da legenda “Ai estao as pedras aremecadas contra o andre ventura !!” [sic] — mas essa versão não corresponde à verdade dos factos.

Como o Observador já teve oportunidade de explicar — num texto em que se desconstroem as várias teorias criadas na sequência desse episódio —, é verdade que nenhuma pedra atingiu o candidato às presidenciais do último domingo. André Ventura (ou um dos elementos da sua equipa de segurança, não foi possível apurar com rigor) foi atingido por uma embalagem dois tais smints.

No entanto, e como puderam constatar os três repórteres do Observador que acompanhavam aquela ação de campanha, e que puderam testemunhar de perto aqueles acontecimentos, houve mais objetos lançados na direção de Ventura: isqueiros, garrafas de águas cheias, uma tampa da jante de um carro e também caixas de smints. E pedras?

Fact Check. Só foram atiradas pastilhas elásticas contra Ventura? Os cartazes foram plantados? Eram elementos do Chega?

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Outros jornalistas presentes no local testemunharam o arremesso de pedras na direção do candidato presidencial e do carro que o transportou ao longo das duas semanas de campanha. A discussão ficou marcada pelo facto de a reportagem da TVI ter focado uma determinada pedra da calçada que teria sido atirada — mas que, nas imagens da chegada de Ventura ao evento, já se encontrava naquele local. Isso pode comprovar que aquele objeto concreto não foi atirado no momento da partida, mas não afasta o facto de terem sido lançadas outras pedras contra o candidato.

Além dos testemunhos de outros repórteres no local, que garantiram ter testemunhado o lançamento de pedras no momento em que o candidato apoiado pelo Chega deixava o local, a PSP também deu conta desse facto. “A entrada do candidato correu mais ou menos bem. Foram só arremessados alguns ovos. Na saída, como prevíamos, foram arremessadas pedras e objetos metálicos cortantes, tudo objetos que, se acertassem em alguém, podiam matar”, referiu o comandante distrital da PSP de Setúbal, Viola Silva.

Fact Check. Ana Gomes apoiou ataque contra André Ventura?

O episódio originou outras teorias. Por exemplo, aquela em que se diz que Ana Gomes terá apoiado o ato de violência contra o adversário na corrida às presidenciais. Não é verdade. Ana Gomes tratou, de imediato, de distanciar-se dessa ação e de condenar quaisquer atos de violência.

Conclusão

É falso que os manifestantes não tenham atirado pedras na direção de André Ventura, no final de uma ação de campanha em Setúbal, já na reta final da campanha. Isso mesmo foi testemunhado por repórteres do Observador presentes no local e por outros jornalistas. É também verdade que nenhuma pedra atingiu o candidato apoiado pelo Chega.

Assim, segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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