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Fact Check. Só foram atiradas pastilhas elásticas contra Ventura? Os cartazes foram plantados? Eram elementos do Chega?

Três teses que correm nas redes sociais alegam que 1) só foram atiradas pastilhas elásticas; 2) os cartazes foram plantados por elementos do Chega; 3) o momento foi encenado. As três são falsas.

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JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

JOÃO PEDRO MORAIS/OBSERVADOR

André Ventura foi alvo de protestos com alguma violência na última quinta-feira em Setúbal e, quando saía de um evento de campanha, viu vários objetos serem arremessados na sua direção. Os manifestantes protestavam contra o candidato apoiado pelo Chega e acabaram por se envolver em confrontos com a polícia, que tinha destacado para o local o corpo de intervenção.

Depois destes factos — aceites genericamente como verdadeiros por todos — circularam várias teorias da conspiração ou realidades alternativas que diziam que só foram atiradas pastilhas ao líder do Chega, que os cartazes foram plantados e distribuídos por apoiantes de Ventura e que o momento foi encenado, num momento fabricado não detetado por uma ação negligente comunicação social. Todas estas teorias são falsas.

Só foram arremessadas caixas de pastilhas?

Não. Foram arremessados vários objetos contra André Ventura e restante comitiva. Os repórteres do Observador no local puderam verificar que foram atirados contra o candidato do Chega isqueiros, garrafas de águas cheias, uma tampa da jante de um carro e também caixas de smints (uma delas terá atingido o candidato ou, pelo menos, um dos seus seguranças).

Mas uma das grandes dúvidas que surgiu nas redes sociais é se foram ou não atiradas pedras pelos manifestantes. Facto: nenhuma pedra acertou em André Ventura. Segundo facto: houve arremesso de pedras em alguns momentos.

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Depois de a manifestação terminar, começaram a circular nas redes sociais testemunhos de alguns dos manifestantes onde se garantia que ‘apenas’ tinham sido arremessadas caixas de pastilhas elásticas e isqueiros e que a existência de pedras era uma efabulação dos repórteres. Falso.

Os três repórteres do Observador que estiveram a acompanhar a ação não podem afirmar com certeza terem visto pedras quando Ventura deixava o auditório onde acabara de dar um comício. Outros jornalistas, no entanto, viram efetivamente pedras a serem lançadas a partir de uma zona lateral da manifestação.

Seja como for, assim que Ventura deixou o local, não há margem para dúvidas: houve arremesso de pedras. Um dos jornalistas da TVI foi atingido por uma pedra na perna. Uma outra não atingiu os repórteres do Observador por centímetros, tendo embatido com violência num carro. Quando os manifestantes batiam em retirada, enquanto a polícia os acompanhava, continuavam a chover pedras.

Como surgiu então a teoria da conspiração quanto à não existência de pedras? Uma das televisões, em direto no local, apontou para uma pedra da calçada que estava no chão junto ao carro de André Ventura, como se tivesse sido um dos objetos atirados contra o líder do Chega. Problema: aquela pedra já ali estava antes daquele momento no chão e não terá sido arremessada pelos manifestantes.

O vídeo só comprova, no entanto, que aquela pedra em específico não foi arremessada, o que não significa que outras não tenham sido lançadas na direção do candidato, comitiva e polícia de choque. Foram, como os três repórteres do Observador e todos os outros jornalistas ali presentes puderam comprovar.

O comandante distrital da PSP de Setúbal, Viola Silva, também confirma a versão dos jornalistas no local: “A entrada do candidato correu mais ou menos bem. Foram só arremessados alguns ovos. Na saída, como prevíamos, foram arremessadas pedras e objetos metálicos cortantes, tudo objetos que, se acertassem em alguém, podiam matar”.

Conclusão: Sim, foram arremessadas pedras. Nenhuma atingiu André Ventura.

Os cartazes foram colocados no local por apoiantes de André Ventura?

Não. Os cartazes não foram plantados por apoiantes de André Ventura. Tal como a teoria da conspiração em torno da pedra-que-era-uma-caixa-de-pastilhas, também começou rapidamente a circular a tese de que os cartazes foram uma manobra de diversão da campanha de Ventura para culpar a socialista por aquele incidente.

Falso. Há várias publicações no Facebook que demonstram que quem preparou os cartazes não foram apoiantes de André Ventura, mas sim elementos da comunidade cigana que se dizem apoiantes de Ana Gomes. Numa das publicações, com já vários dias, surge um grupo a colar e a segurar os mesmos cartazes que apareceram na quinta-feira em Setúbal.

Uma consulta atenta desses perfis de Facebook mostra que são pessoas reais, com ligações à comunidade cigana e que partilham com frequência mensagens onde criticam André Ventura e fazem apelos ao voto de Ana Gomes — recorde-se que a socialista se demarcou de imediato daquele incidente, condenando a violência dos manifestantes.

Os críticos de André Ventura já tinham partilhado alguns dos cartazes cinco dias antes

Conclusão: Não, os cartazes não são da autoria da campanha de André Ventura. Os autores estão perfeitamente identificados nas redes sociais e assumem-se como apoiantes de Ana Gomes.

Foi um ato premeditado?

Foi. Quando o candidato chegou, às 15h23, foi recebido com gritos anti-Chega e a comitiva foi atingida com ovos. Foi a primeira vez em toda a campanha que se ultrapassou essa linha: apesar das manifestações contra Ventura terem sido uma constante, nunca tinha existido arremesso de objetos contra o líder do partido. Mesmo em Coimbra, onde cerca de uma centena de pessoas gritou durante quase uma hora contra Ventura à porta do Mosteiro de Santa Cruz, bem na baixa de Coimbra.

Em Setúbal, essa linha foi ultrapassada. E é possível perceber, mais uma vez através de uma rápida pesquisa no Facebook, que havia um plano de boas-vindas reservado para André Ventura. Elementos do mesmo grupo que está na origem dos cartazes de Ana Gomes combinaram entre si o local onde ia estar o candidato do Chega e prometeram recebê-lo de “braços abertos”.

Nas redes sociais, começou a circular igualmente a tese de que aquela manifestação tinha sido um encenação ou, no limite, provocada por elementos próximos de Ventura, que se tinham infiltrado. A primeira opção é falsa — o que aconteceu foi real. A segunda é, para dizer o mínimo, inverosímil: primeiro, porque o padrão de comportamento violento continuou bem para lá da saída do líder do Chega e os autores eram perfeitamente indentificáveis, como testemunhou o Observador no local; em segundo lugar, porque o grupo tem um histórico de presenças em várias ações de campanha de André Ventura.

Aliás, o Observador cruzou-se com este grupo na estação de serviço de Setúbal quando seguia atrás da caravana até Évora. E lá estava o mesmo grupo à porta do hotel onde o candidato ia dar um comício.

Conclusão: Sim, a manifestação foi previamente organizada por elementos da comunidade cigana. Sim, ainda antes da chegada de Ventura, existiam ameaças veladas contra o líder do Chega. Sim, este grupo já marcou presença noutras iniciativas de Ventura. E, por fim, é no mínimo improvável dizer que o grupo foi infiltrado por elementos do Chega. Nada indica que tal tenha acontecido.

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