A publicação mostra a imagem de uma criança e é acompanhada pelas seguintes frases: “O nome dela era Emily Jones Bolton. Tinha apenas sete anos. A 22 de março, Emily foi esfaqueada no pescoço e morta em plena luz do dia enquanto passava com a sua trotinete por um banco num parque, no Dia da Mãe (no Reino Unido). Os media esconderam a sua história porque ela foi assassinada por um imigrante somali de 30 anos”. Contudo, são várias as imprecisões ou falsidades desta publicação.

É verdade que uma criança de sete anos chamada Emily Jones foi assassinada a 22 de março enquanto brincava no Queens Park, em Bolton, mas é falso que os media tenham escondido a história e que a homicida fosse somali.

A publicação está escrita em inglês, mas foi partilhada em Portugal

O caso ocorreu por volta das 14h30 do dia 22 de março quando uma desconhecida se aproximou de Emily Jones e a esfaqueou à frente dos seus pais. Com ferimentos graves, a criança de sete anos acabaria por morrer pouco depois. No mesmo dia, a polícia deteve logo uma mulher de 30 anos, que após o ataque foi seguida por um dos populares que assistiu à cena e a reteve até à chegada das autoridades. Sem revelar a identidade da mulher, a polícia disse então que esta tinha “problemas mentais”, tendo sido detida à luz do Mental Health Act, a lei de Saúde Mental britânica.

A publicação do Facebook diz que os “media esconderam” a história — o que não é verdade. Logo após o homicídio, o caso foi amplamente noticiado pela imprensa. O jornal britânico The Guardian noticiou logo a 22 de março, no dia seguinte, 23, noticiou a detenção da suspeita e dois dias depois a homenagem que os país lhe fizeram. Já a 20 de maio, dia em que foram deduzidas as acusações contra a suspeita, foi até revelado pelo jornal o nome da suspeita .

A Sky News também fez várias notícias sobre o homicídio da criança exatamente nos mesmos momentos. No dia do homicídio, no momento da detenção, no dia da homenagem e no momento em que foi deduzida a acusação.
Na mesma linha, a BBC noticiou o homicídio, a homenagem dos pais, a notícia de que seria construído um memorial no parque onde foi assassinada a criança, bem como, tal como os outros órgãos, o momento da detenção, divulgando o nome da suspeita.

O caso foi igualmente seguido pela imprensa local, que continua a noticiar o assunto com regularidade. Já esta terça-feira, 26, o Manchester Evening, noticiou que a mulher ia começar a ser ouvida em tribunal.

Outra das informações falsas da publicação é que os media esconderam o crime porque a assassina era uma “imigrante somali de 30 anos”. Como escreveu o Snopes quando verificou uma outra mentira que circulou sobre este crime — que a criança tinha sido decapitada — a informação de que a agressora era somali era “baseada em especulações” e difundida por sites neonazis como o The National Vanguard. Na altura em que esta informação começou a ser difundida ainda a polícia não tinha divulgado informações sobre a nacionalidade da detida — descrevendo apenas uma mulher de 30 anos.

Os jornais de referência não revelaram a origem da homicida (ficaram-se pelo nome: Eltiona Skana), mas os tablóides, como o Daily Mail revelaram que se trata de uma mulher de origem albanesa. Ou seja: era absolutamente falso que se tratava de uma imigrante somali.

Há outra imprecisão na publicação: a criança chama-se “Emily Jones” e não “Emily Jones Bolton”. Bolton é a cidade onde residia e onde o crime ocorreu.

Conclusão

É verdade de que Emily Jones, uma criança de sete anos de Bolton, foi assassinada por uma estranha de forma completamente aleatória no dia 22 de março enquanto brincava no jardim com os pais. A informação de que os media esconderam o caso é absolutamente falsa, já que a notícia foi amplamente divulgada e a história foi sendo acompanhada pelos media britânicos, quer os jornais de referência, quer os tablóides, quer a imprensa local. É igualmente falso que a suspeita do homicídio seja, ou alguma vez tenha sido uma imigrante somali. Na verdade, a mulher acusada do homicídio chama-se Eltiona Skana e é de origem albanesa.

De acordo com o sistema de classificação do Observador este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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