Um vídeo publicado no Facebook mostra uma utilizadora a fazer um tutorial que tem como objetivo impedir a rede social de ter acesso a todas as aplicações que temos no telemóvel, incluindo aplicações bancárias. Antes de iniciar o passo a passo, esta utilizadora garante que o Facebook tem acesso, sem barreiras, aos dados das contas no banco dos utilizadores, nomeadamente “transferências bancárias, saldos das contas e códigos de acesso ao banco”.

Vamos por partes. Em primeiro lugar, é preciso dizer que o tutorial é “eficaz para ‘desassociar’ as várias aplicações que os utilizadores têm associadas à rede social”, explica Ricardo Henriques, sócio da Abreu Advogados e especialista nas áreas de tecnologia, média e telecomunicações. Apesar disso, há um procedimento ainda mais eficaz a ter em conta para o futuro: “Não utilizar a funcionalidade de sign-in com o Facebook.” Este recurso, que simplifica o registo em várias plataformas online, também dá à rede social “acesso às preferências e interesses dos utilizadores, permitindo assim a criação de um perfil e o direcionar de publicidade e posts sobre temas do seu interesse”.

Em segundo lugar, a questão levantada por esta utilizadora: o Facebook tem acesso a todas as aplicações que temos no telemóvel? “Não tem acesso nem está a roubar dados e muito menos códigos de acesso a contas bancárias”, responde Ricardo Henriques.

Esta é a mesma posição assumida pela rede social de Mark Zuckerberg: “Proibimos os negócios ou as organizações de partilharem informações confidenciais connosco, como informações financeiras e de saúde, a tua data de nascimento e palavras-passe. Se determinarmos que um negócio ou uma organização está a desrespeitar os nossos termos, vamos tomar medidas contra o mesmo”, pode ler-se no ‘Centro de Ajuda’ da plataforma.

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Nesta página é ainda possível perceber que a “atividade fora do Facebook” a que se refere o vídeo que estamos a verificar monitora os seguintes movimentos: “Abrir uma app”; “Iniciar sessão numa app com o Facebook”; “Ver conteúdos”; “Pesquisar um artigo”; “Adicionar um artigo a um carrinho de compras”; “Efetuar uma compra” e “Fazer um donativo”. Em nenhum ponto desta lista se refere que a rede social tem acesso a dados bancários.

A falta de provas que confirmem esta tese é alargada a outras duas entidades. O Observador foi ouvir a Associação Portuguesa de Bancos que diz não ter qualquer indício de que este acesso possa ser possível e revela que até à data não houve nenhuma queixa por parte de clientes bancários.

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) desvaloriza a alegada denúncia feita no vídeo: “Existem todo o tipo de acusações, de teorias, de opiniões a correr a Internet e a CNPD não pode andar a comentá-las”, escreve Clara Guerra, da CNPD. Apesar desta posição, revela que “não existem denúncias” no sentido de se suspeitar de que o Facebook é responsável pelo “roubo” de dados bancários.

Conclusão

Um vídeo publicado no Facebook mostra uma utilizadora a apresentar um tutorial para que o Facebook deixe de ter acesso aos dados bancários dos utilizadores. Apesar de este passo a passo funcionar para que a rede social deixe de ter acesso a algumas informações dos utilizadores, não é verdade que a rede social tenha acesso aos dados bancários dos utilizadores, nomeadamente “transferências bancárias, saldos das contas e códigos de acesso ao banco”.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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