Com a escolha do novo Papa, Leão XIV, multiplicam-se as curiosidades sobre Robert Prevost e a forma como exercerá o seu pontificado. Uma delas tem a ver com o acesso do Papa a dinheiro e a bens materiais, o seu salário e as suas regalias — sendo que uma série de publicações nas redes sociais garante que Leão XIV, novo chefe da Igreja Católica e do Estado do Vaticano, vai ter um salário “igual ao do Presidente dos EUA“, de aproximadamente 30 mil euros mensais (ou 360 mil euros anuais). Isto a somar às “regalias exclusivas” a que o Papa terá direito, da residência à alimentação gratuita.

Não existe, na verdade, registos de valores nessa ordem, sendo que a informação sobre as condições de vida e monetárias dos papas é escassa. Um artigo do jornal italiano La Repubblica indica, no entanto, que os clérigos recebem, dependendo dos cargos que ocupam, salários de 1.200 a 5.000 euros por mês (dos padres aos cardeais, excluindo o Papa).

No que toca ao Papa, como prossegue o jornal, é mais complexo responder a esta questão, dada a falta de informação oficial sobre o assunto. Há vários jornais que remetem para uma resposta dada de forma taxativa em 2001 ao New York Times, pelo então porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro-Valls, para acabar com as especulações que na altura estavam a ganhar tração sobre o suposto salário do Papa (então João Paulo II): “O Papa não recebe e nunca recebeu um salário.”

Segundo fontes do Vaticano citadas pelo La Reppublica, o chefe da Igreja católico terá direito a um pagamento simbólico de cerca de 2.500 euros por mês, que o sucessor de João Paulo II, Bento XVI, terá recebido. Mas Francisco terá rejeitado esse valor: as suas despesas foram pagas diretamente pela Santa Sé, das refeições à segurança.

Num documentário filmado pela Disney “Amén: Francisco responde”, em que Francisco respondia a perguntas de dez jovens curiosos de várias partes do mundo, gracejava: “Não, não me pagam! Quando preciso de dinheiro para comprar sapatos ou outra coisa, eu peço. Eu não tenho um salário, mas isso não me preocupa, porque sei que me dão de comer de graça”. E acrescentava que tinha um estilo de vida simples, “como um trabalhador de escritório”, e que se precisasse de fazer alguma despesa maior pediria “ajuda” a outros para não sobrecarregar a Santa Sé.

Francisco acrescentava ainda que, quando uma organização social lhe pedia ajuda, encorajava quem de direito a pedi-la: “Peçam, que de qualquer maneira aqui dentro todos roubam. Eu sei onde se pode roubar e envio o dinheiro”, brincava. “Com isto quero dizer que quando vejo alguém que precisa de ser ajudado, peço à pessoa responsável”.

Francisco rejeitou também o apartamento papal no Palácio Apostólico, tendo vivido desde a sua eleição, em 2013, na Casa Santa Marta (na suite 201), uma casa de hóspedes perto da Basílica de São Pedro. O estilo simples e frugal de vida que escolheu, principalmente depois de entrar na Companhia de Jesus, foi uma das principais marcas do seu pontificado.

Assim, deverá depender do próprio Papa Leão XIV a maneira como as suas despesas serão pagas, e se receberá uma quantia de dinheiro para gerir ou se a Santa Sé se encarregará de ir dando resposta às suas necessidades.

Os membros da Cúria que recebem salários já foram afetados por cortes remuneratórios: depois da pandemia, o Papa Francisco impôs um corte de 10% nas remunerações, “seguido de novas reduções”, segundo o La Repubblica, assinalando que muitos dos clérigos destinam uma parte desse ordenado a obras de caridade ou apoio às suas dioceses. Os chefes da Igreja têm também o direito de dedicar fundos da Igreja a doações que queiram fazer.

Já em 2024, Francisco alertou numa carta enviada a todos os cardeais e aos responsáveis de vários gabinetes do Vaticano que o fundo de pensões do Vaticano enfrentava um “grave desequilíbrio” e que seria preciso tomar “decisões difíceis” para atingir o equilíbrio das contas, tendo nomeado o cardeal Kevin Farrell para assumir a gestão do fundo. Mais uma vez, isto significaria, entre outras medidas, a redução das remunerações dos cardeais.

Conclusão

Não há qualquer indicação oficial de que o Papa receba um salário desta ordem de valores. Fontes do Vaticano indicam que Bento XIV aceitou a remuneração de cerca de 2.500 euros mensais, e que nem João Paulo II, segundo o então porta-voz do Vaticano, nem Francisco, conforme os esclarecimentos que o próprio deu, quiseram receber ordenado. Nesse caso, a Santa Sé encarrega-se das despesas necessárias, além de todos terem direito ao alojamento no Vaticano.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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