Praça do Rossio, Lisboa, 6 de março. A fotografia mostra o local cheio de pessoas, um mar vermelho de bandeiras do PCP e polícia a escudar o encontro comunista. Sem razões para duvidar da autenticidade da fotografia, ela parece mostrar que os militantes do partido não respeitaram o distanciamento entre si. Mas é só uma questão de perspetiva.

Vamos por partes. Esta foi só uma de várias demonstrações — 100, aliás — que o partido liderado por Jerónimo de Sousa resolveu fazer em todo o país, à falta da possibilidade de se realizar um comício tradicional, devido às contingências da pandemia.

O Observador esteve nesta demonstração no Rossio, onde discursou o secretário-geral do partido, e atestou, no próprio dia, que o distanciamento foi, de facto, cumprido. É isso que pode ler logo no lead do nosso artigo.

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Em resposta às questões do Observador sobre se houve lugar a alguma sanção à organização ou participantes por violação das regras sanitárias, a Polícia de Segurança Pública responde que “no contexto da saúde pública, não foram levantados quaisquer autos por infrações ao quadro legal vigente”. A polícia acrescenta que “as iniciativas promovidas pelo PCP aquando da celebração do centenário foram previamente comunicados à entidade administrativa competente, nos termos da legislação sobre eventos político-partidários”.

Tanto a reportagem do Observador como a PSP atestam que o distanciamento foi cumprido de forma exemplar neste encontro. Mas há outras provas disso mesmo. Nas redes sociais do PCP, surgiram as fotos dos encontros de norte a sul do país. No caso de Lisboa, as fotos — mais nítidas e obtidas a partir de um outro ângulo — já mostram que a publicação do Facebook que aqui verificamos induz em erro. Na foto abaixo, as mesmas cadeiras, as mesmas bandeiras, e um enquadramento semelhante ao da publicação, mas com um distanciamento visível.

Fotografia retirada do Facebook do PCP

Além do ângulo da fotografia, existe outra diferença que salta à vista entre um registo e o outro: o facto de os militantes do PCP estarem de pé, e não sentados — o que já poderia justificar essa possibilidade de se tratar de um ajuntamento, sem respeito pelo distanciamento físico, que é, no fundo, sinalizado pelas cadeiras. Ora, na verdade, mesmo enquanto estiveram de pé, os participantes mantiveram a mesma regra de distanciamento e não se afastaram dessas cadeiras. Seria também essa a indicação da organização.

Fotografia retirada do Facebook do PCP

Aqui está disponível na íntegra, em formato de vídeo, esta demonstração na Praça do Rossio, em Lisboa, com várias imagens dos participantes, e que mais uma vez atesta que foi cumprido o distanciamento físico entre as pessoas.

Conclusão

Sem razões para se duvidar da autenticidade da fotografia da publicação em causa, fica claro que existe um problema de perspetiva. Não é possível inferir que o PCP não cumpriu as regras de distanciamento durante a celebração dos 100 anos em Lisboa, no Rossio, como alega a publicação, porque o registo é enganador. Além disso, a PSP confirma que não foi levantado qualquer auto por incumprimento das regras sanitárias – quer à organização, quer aos participantes.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:


ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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