A fotografia começou a circular no passado dia 4 de março no Facebook e depressa milhares de utilizadores indignados começaram a partilhá-la. Nela é possível ver um idoso, de máscara, com uma bengala, sentando num banco de jardim vedado com fitas, para impedir que seja usado, no âmbito do combate à pandemia de Covid-19. A seu lado, um agente da Polícia de Segurança Pública (PSP), de pé, parece escrever alguma coisa. A imagem era acompanhada de uma descrição — principal motivo de revolta entre os utilizadores — que explicava que o idoso teria sido autuado em 200 euros por estar sentado num banco de jardim, na Praça do Marquês de Pombal, no Porto. Só que o idoso não foi autuado e a fotografia está descontextualizada, levando já a PSP a desmenti-la publicamente.

Uma das publicações já ultrapassou as 5 mil partilhas

A história que acompanha a fotografia não se ficava por aqui. Era também dito que o idoso em causa “vai buscar comida a uma cantina social”, “vive num quarto e recebe uma reforma de 200 euros”. Era ainda apresentada uma razão para o facto de estar sentado num banco de jardim vedado com fitas: “Não se consegue mover sem descansar um bocado, para continuar a caminhar com uma bengala”.

Ora, a razão é verdadeira e foi precisamente a que levou a PSP a não autuar o idoso. A imagem foi esclarecida na sexta-feira por esta força policial, que recorreu também às redes sociais para explicar o que tinha acontecido. Então, o que aconteceu? A fotografia é verdadeira e foi tirada na quinta-feira, 3 de março, no Porto — mas está descontextualizada.

O esclarecimento da PSP divulgado na página do Instagram oficial desta força de segurança

Segundo explicou esta força de segurança, os agentes encontraram três cidadãos a conversar, sem distanciamento social — dois deles estavam sem máscara. “O terceiro cidadão, mais idoso, encontrava-se sentado num banco de jardim, sinalizado com fitas para impedir o seu uso e tinha a máscara colocada no queixo“, descreve a PSP, adiantando que alertaram os três cidadãos para cumprirem “as medidas de diminuição de risco de contágio”.

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O cidadão mais idoso, após a advertência, de imediato colocou a máscara de forma correta e justificou o uso do banco pelo estado de cansaço em que se encontrava, pelo que necessitava um momento de pausa”, explica.

Assim, apenas “os cidadãos que não usavam qualquer máscara foram autuados”. Quanto ao idoso, os agentes da PSP “ofereceram o apoio e não registaram qualquer autuação, o que foi motivo de agradecimento pelo cidadão”.

Apesar do esclarecimento da PSP, a fotografia continua a ser partilhada nas redes sociais, acompanhada com a informação falsa de que o idoso foi autuado em 200 euros. “Quem fotografou e divulgou a situação deturpa claramente o que ocorreu“, lamenta a Direção Nacional da PSP no comunicado.

Conclusão

Circula nas redes sociais uma fotografia de um idoso sentando num banco de jardim vedado com fitas, para impedir que seja usado, no âmbito do combate à pandemia de Covid-19. A seu lado, de pé, está um agente da PSP, de pé, parece escrever alguma coisa. Segundo as publicações, o idoso teria sido autuado pela quantia de 200 euros por estar sentado no banco.

A fotografia é verdadeira e foi tirada na quinta-feira, 3 de março, no Porto, mas está descontextualizada, levando a PSP a desmenti-la. A polícia estava no local uma vez que encontrou três cidadãos a conversar, sem distanciamento social — dois deles estavam sem máscara. Apenas foram autuados “os cidadãos que não usavam qualquer máscara” — o que não era o caso do idoso que, apesar de ter a máscara no queixo, colocou-a de forma correta e justificou o facto de estar sentado do banco por estar cansado. O idoso não foi autuado.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

Nota 2: O Observador faz parte da Aliança CoronaVirusFacts / DatosCoronaVirus, um grupo que junta mais de 100 fact-checkers que combatem a desinformação relacionada com a pandemia da COVID-19. Leia mais sobre esta aliança aqui.

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