Uma estrutura gigante construída no mar por Singapura com “tecnologia de ponta” para albergar prisioneiros e aliviar as prisões locais, contando com vigilância com inteligência artificial e zero rotas de fuga possível para o que é descrito como uma “nova abordagem no sistema prisional”.
O vídeo, partilhado nas últimas semanas em diversas contas de Facebook e Instagram, apresenta assim a alegada primeira prisão flutuante de Singapura e chamou a atenção dos utilizadores, atraindo milhares de ‘likes’ e centenas de partilhas na Internet. Contudo, não foi preciso esperar muito tempo até se perceber que o conteúdo era falso.
O Serviço Prisional de Singapura (SPS) divulgou no passado dia 17 de julho um comunicado a esclarecer que as partilhas online sobre a inauguração de uma suposta prisão flutuante eram falsas. “O Serviço Prisional de Singapura (SPS) está ciente de várias publicações nas redes sociais que circulam online afirmando que Singapura lançou a primeira prisão flutuante do mundo. Isso não é verdade. Não tivemos quaisquer discussões ou planos nesse sentido, nem há necessidade disso”, lê-se na nota publicada.
O organismo que gere o sistema prisional de Singapura apelou ainda à comunidade para que “não espalhe informações falsas, nem se deixe enganar por histórias absurdas”, vincando a necessidade de consulta das plataformas do SPS nas redes sociais para obter informações oficiais e não ser alvo de desinformação.
A suposta prisão flutuante retratada nas imagens é, segundo a AFP, em tudo similar a uma estrutura existente no Reino Unido conhecida por Bibby Stockholm. De acordo com o jornal The Guardian, esta barcaça albergou requerentes de asilo entre 2023 e 2024, esteve atracada em Portland, Dorset, e chegou a ter uma capacidade máxima para 400 pessoas. A estrutura não era uma verdadeira prisão, mas gerou bastante polémica no país pelas condições em que os migrantes ficavam confinados.
Os últimos ocupantes deixaram as instalações em novembro passado, uma vez que o Governo britânico decidiu não renovar o contrato de utilização daquela estrutura. O Ministério da Administração Interna britânico revelou que o fim do vínculo em janeiro se traduziria numa poupança de 20 milhões de libras anuais, representando também uma nova orientação na política de imigração, segundo o executivo trabalhista.
Conclusão
A cidade-estado de Singapura não inaugurou uma prisão flutuante de alta tecnologia e desmente que existam quaisquer planos nesse sentido. As imagens partilhadas retratam uma barcaça que foi utilizada no Reino Unido até final do ano passado para albergar requerentes de asilo enquanto estes aguardavam o processamento dos respetivos pedidos e não era verdadeiramente uma prisão.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.