Após dois meses, o Irão voltou a atacar Israel a 7 de junho de 2026, numa nova vaga da ofensiva entre os dois países. O regime iraniano justificou a iniciativa como uma retaliação contra um ataque israelita contra o sul da capital do Líbano, Beirute, onde a milícia xiita pró-Teerão Hezbollah controla várias posições militares.
Pouco após estes ataques, surgiram vídeos e imagens nas redes sociais que mostrariam os efeitos em Israel dos bombardeamentos iranianos. No vídeo gravado durante a noite, veem-se vários mísseis no céu e o que parece ser a resposta dos sistemas de defesa aérea.
“Não é festividade de São João! É o Irão que pediu tanto, que acabou a ganhar a atenção que queria”, escreveu um utilizador nas redes sociais, que insinuava que o regime iraniano queria novamente ganhar mediatismo, em pleno processo negocial com os Estados Unidos da América (EUA) para um acordo de paz.
Porém, as imagens que estão a circular nas redes sociais sobre este assunto já estão publicadas desde outubro de 2024. O canal estatal turco TRT News publicou no X, a 1 de outubro de 2024, o mesmo vídeo. A Sky News também apresenta fotos do momento, num artigo publicado a 2 de outubro.
Iranian missiles have struck Israel's Nevatim Airbase near Beersheva (Bir al-Sabi) after Tehran launched a salvo of rockets in retaliation to Israel's raids in Lebanon pic.twitter.com/aRPdUzwxbF
— TRT World (@trtworld) October 1, 2024
O vídeo mostra efetivamente um ataque do Irão contra Israel — mas a 1 de outubro de 2024. Nesse dia, o regime iraniano lançou 200 mísseis balísticos contra território israelita.
Em concreto, este vídeo mostra, segundo a TRT, um ataque contra a base aérea israelita Nevatim, perto da cidade de Beersheva. Na altura, o Irão decidiu retaliar contra as incursões militares israelitas no Líbano.
Conclusão
O vídeo que está agora a ser partilhado nas redes sociais mostra um ataque do Irão a Israel, mas não durante a última vaga de ataques iranianos que atingiu território israelita em junho de 2026. Partilhado pela TRT News em outubro de 2024, o vídeo mostra um ataque à base aérea Nevatim há dois anos — e não é, como sugerem as publicações, uma prova da última ofensiva do Irão contra o Estado judaico.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.