Várias publicações que circulam nas redes sociais, nomeadamente no Facebook, partilham um vídeo que alega mostrar as forças armadas dos Estados Unidos a caminho da América Latina. “Estados Unidos demonstram força em vídeo de tropas indo a caminho da América Latina combater os cartéis de drogas”, pode ler-se num dos posts. No vídeo, observam-se dezenas de navios de guerra, drones, helicópteros, mas também aviões de combate (caças) e carros de combate, no que parece ser uma mobilização militar para um conflito armado.
A 21 de agosto, os Estados Unidos enviaram três navios lança-mísseis para as águas do mar das Caraíbas, ao largo da Venezuela, com o objetivo de combater o tráfico de drogas, num contexto de tensão crescente entre Washington e Caracas. E já esta segunda-feira, 15 de setembro, Donald Trump revelou forças norte-americanas tinham conduzido um novo ataque contra “narcoterroristas venezuelanos”, bombardeando uma embarcação que, segundo o próprio, transportaria droga em direção aos Estados Unidos. Na operação, terão perdido a vida três pessoas que seguiam a bordo.
O envio dos três navios militares, ainda em agosto, seguiu-se ao momento em que os EUA divulgaram um vídeo, no qual a procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, anunciou o aumento — para 50 milhões de dólares (cerca de 43 milhões de euros) — da recompensa oferecida por qualquer informação que permita prender o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, suspeito de tráfico internacional de drogas e de enviar cocaína para os EUA. Washington alega que Maduro colabora com cartéis para ‘inundar’ os EUA com cocaína misturada com fentanil.
“Sob a liderança do Presidente Trump, Maduro não escapará à justiça e será responsabilizado pelos seus crimes desprezíveis”, afirmou Pam Bondi, citada pela Euronews.
Estados Unidos enviam três navios lança-mísseis para águas ao largo da Venezuela
Mas os três navios militares podem não ter sido os únicos meios militares enviados pelo Pentágono para as águas ao largo da Venezuela. Segundo a agência EFE, a missão norte-americana envolve também um submarino nuclear, uma aeronave de reconhecimento P8 Poseidon e vários contratorpedeiros. Segundo vários meios de comunicação social norte-americanos, a Administração Trump também planeia enviar 4 mil fuzileiros navais para a região das Caraíbas.
De acordo com o jornal The New York Times, Donald Trump ordenou que as tropas americanas visem grupos no México e na Venezuela, como o Tren de Aragua e o MS-13, com ações por terra, mar e ar.
Em resposta à mobilização militar norte-americana, o presidente da Venezuela Nicólas Maduro (que não é reconhecido como Presidente legítimo pelos EUA e grande parte dos países europeus) respondeu anunciando “a mobilização de toda a capacidade miliciana no território e por setores [cerca de 4,5 milhões de pessoas], estabelecendo a capacidade da milícia nacional bolivariana em todos os territórios do país”. O ministro do Interior e da Justiça da Venezuela, Diosdado Cabello, disse entretanto que as autoridades venezuelanas também estão destacadas nas águas territoriais do país, num claro aviso aos EUA.
Mas será que o vídeo que está a ser partilhado nas redes sociais corresponde à mobilização dos meios militares norte-americanos ordenada por Donald Trump? A resposta é não. O Departamento da Defesa norte-americano confirmou o envio de meios militares mas não divulgou qualquer vídeo das tropas a deslocarem-se para a América Latina, como se pode comprovar na página online oficial do departamento liderado por Pete Hegseth.
Além disso, há excertos do vídeo em causa (cuja origem não é conhecida) partilhados online desde pelo menos 2017.
Conclusão
As imagens partilhadas nas redes sociais não correspondem à atual mobilização de meios militares dos EUA para o Mar das Caraíbas. O Departamento da Defesa norte-americano não divulgou ainda quaisquer imagens das operações nem da deslocação de meios para perto da costa da Venezuela. As imagens, de uma operação real, circulam desde 2017 e não correspondem à operação de agosto dos Estados Unidos.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ENGANADOR
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de factchecking com o Facebook.