Um militar da Força Aérea Brasileira que acompanhava a comitiva do Presidente brasileiro Jair Bolsonaro foi detido na última terça-feira, 25, em Sevilha, por transportar 39 quilos de cocaína. O caso embaraçou Bolsonaro, que se encontrava a caminho da cimeira dos G-20, no Japão, tendo feito escala no dia seguinte no Aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa. Nesse mesmo dia, 26, começou uma campanha de desinformação que garantia que o militar era “filiado no PT”, o partido de Lula e do adversário de Bolsonaro nas últimas eleições, Fernando Haddad. Só uma dessas publicações teve mais de 3,7 mil partilhas nos últimos dias e noutras surgiram, como é habitual, fotografias manipuladas para provar essa ligação. Que não existe.

O site de apoio ao Presidente brasileiro, Bolsominion Gamer, fez uma publicação a 27 de junho onde garantiu: “Militar preso da FAB. O militar detido por drogas é filiado ao PT. Pronto! Resolvido o mistério”.

Publicação da página Bolsomion Gamer

Outros utilizadores partilharam não a frase, mas uma fotografia do militar com uma “moldura” de apoio ao PT, partido de Lula da Silva, e principal partido da oposição brasileira. Ora, a fotografia é uma montagem.

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No Brasil, ao contrário do que acontece em Portugal, o Supremo Tribunal Eleitoral tem disponível uma lista de militantes dos vários partidos. Na lista de militantes do PT não consta o nome de Manoel Silva Rodrigues, o militar detido em Sevilha por transportar 39 quilos de cocaína.

Além disso, a Constituição Brasileira, no seu artigo 142, é clara quanto à proibição de os membros das Forças Armadas serem filiados em partidos políticos.

A Constituição brasileira estabelece que “o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos”

E o PT não foi o único alvo de falsas informações. O próprio PSL, partido de Jair Bolsonaro, também viu o seu nome associado ao militar. Começou, quase ao mesmo tempo, a circular uma fotografia de Jair Bolsonaro na Marcha de Jesus em 2015, em que estaria, alegadamente, ao lado do militar traficante. E que o militar traficante era do PSL.

Ora, é falso que o homem ao lado de Bolsonaro seja o militar detido em Espanha. Como já esclareceu a Agência Lupa, a pessoa com a seta apontada na imagem é o deputado federal Sóstenes Cavalcante (ex-PSD-RJ, hoje no DEM-RJ). Houve outras publicações que garantiam que o militar era militante do PSL, mas — tal como acontece nas listas do PT — o nome de Manoel Silva Rodrigues não aparece.

Conclusão

A informação de que o militar brasileiro detido em Espanha com 39 quilos de cocaína é militante do PT é completamente falsa, como comprovam os documentos oficiais. Mas isso não impediu a proliferação da informação. O partido de Jair Bolsonaro também foi alvo de falsas informações que garantiam que o militar era militante do PSL, o que também é completamente falso. No Brasil, os militares nem sequer podem ser filiados a partidos. O militar poderia, eventualmente, ser simpatizante de um daqueles dois partidos (PT ou PSL) ou de qualquer outro, mas os órgãos de referência brasileiros não detetaram até agora qualquer ligação partidária evidente.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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