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“Viagem cheia de aventuras e peripécias”, “série de acontecimentos anormais e variados”. A definição de “odisseia” no dicionário Priberam não está longe da epopeia que tem sido a construção do novo aeroporto de Lisboa (apropriadamente batizado de ‘Luís de Camões’). A odisseia de Homero durou 10 anos e o aeroporto de Lisboa já leva 50 em discussão. Mas parece que desta vai. A acreditar nas previsões do Governo, em 2035 a capital terá uma infraestrutura “sem equivalente na Europa ocidental“. |
As primeiras imagens foram apresentadas esta quarta-feira. A infraestrutura terá duas pistas na fase inicial, 64 portas de embarque e 72 pontes de embarque em contacto. O terminal de passageiros terá 500.000 metros quadrados. Além do aeroporto em si, o projeto exige a construção de 250 quilómetros de novas estradas, incluindo a terceira travessia do Tejo entre Chelas e Barreiro. Haverá um shuttle ferroviário que passará num túnel ligado à futura linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid. Para chegar de Lisboa ao aeroporto serão precisos 20 minutos. |
Segundo o calendário do Governo, a obra arranca em 2029 e deverá ficar concluída em 2033, mas serão necessários dois anos de testes e certificações. Voar a partir Benavente/ Montijo só será possível (sem mais “acontecimentos anormais e variados”) em 2035. A concessionária ANA, pela sua vez, atira a primeira descolagem para 2037. A saga vai custar entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros. |
Álvaro, o prudente que não crê em milagres |
Foi há um ano, mais coisa menos coisa, que o Governo anunciou o sucessor de Mário Centeno. O “Álvaro dos pastéis de nata” tornava-se Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal. Numa grande entrevista ao Observador, que pode ver na íntegra, Santos Pereira optou pela via institucional e não quis entrar “em duelos de palavras com ex-governadores” por “uma razão de decoro”. Não é só o estilo que contrasta com o de Centeno. Há uma avenida de diferenças entre ambos. Ou, neste caso, um quarteirão em Entrecampos. Sob a orientação de Santos Pereira, o projeto de Centeno para a nova sede do Banco foi significativamente alterado. O governador defende que esta é uma versão “mais económica” e até mais segura. E garante que as secretárias não vão ser mais pequenas. |
Na entrevista ao Observador não poderia ficar de fora a política monetária do BCE, que esta quinta-feira revela se vai voltar a subir a taxa diretora ou se prefere, para já, mantê-la. Para Álvaro Santos Pereira, a prudência deve continuar a guiar a política do BCE e será essa a bússola do seu voto. |
E tal como defendia o economista Álvaro Santos Pereira, também o governador insiste na necessidade das “tais reformas estruturais que os outros países continuam a fazer e que nós não fazemos há alguns anos”, a começar pela reforma laboral, um debate que Santos Pereira gostaria de ver retomado. E só com reformas é que Portugal vai “crescer mais”. Até porque, na visão do governador, o país está longe de ser “um milagre económico”. |
Tudo o que sobe, desce. Menos o preço dos combustíveis |
É já um ritual a cada sexta-feira. Antes da hora do almoço, o “mercado” começa a antecipar a atualização que o preço dos combustíveis deverá ter na segunda-feira seguinte. Nas últimas semanas, tem sido sempre a subir devido à escalada do conflito entre os EUA e o Irão e a disrupção no estreito de Ormuz. |
Esta segunda-feira o gasóleo registou o maior aumento desde março, que foi ligeiramente atenuado pelo mecanismo que o Governo tem em vigor, que através de um desconto no ISP anula o ganho que o Estado teria no IVA com a subida dos preços. “O Estado não lucra com a guerra”, garantiu o ministro António Leitão Amaro. |
Só que a formação do preço dos combustíveis é uma questão complexa, que até ao próprio Governo provoca dúvidas. No início de julho, quando os preços desceram após o breve cessar-fogo, a ministra do Ambiente pediu à Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) para analisar porque é que os combustíveis não baixam tanto como o petróleo. A ERSE respondeu esta semana, para dizer que o mais relevante não é a cotação do petróleo, mas a dos produtos refinados (o que nos leva de volta a Ormuz). E ainda segundo o regulador, os preços que os consumidores pagam estão abaixo do preço eficiente calculado todas as semanas. |

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A EMPRESA |
Se uma cerveja tiver um travo a queijo, estará estragada? E se souber a banana? Descobrir estas possíveis anomalias é uma das árduas tarefas dos provadores da Central de Cervejas, uma função que qualquer funcionário da empresa pode desempenhar e que é um dos passos mais importantes no controlo de qualidade das bebidas. |
O Observador visitou a fábrica da Central de Cervejas em Vialonga, a única do país que junta o processo industrial à malteria, onde a cevada é transformada em malte. O que, segundo Teresa Sampaio, mestre cervejeira da Central que foi também a mestre de cerimónias na visita à dona da Sagres, faz toda a diferença na “construção” de uma cerveja. Da micromaltagem às linhas de enchimento por onde podem passar 55 mil garrafas por hora, fazer uma cerveja pode levar até um mês e meio. A inovação é a grande aposta da Central, num país que ainda é mais de vinho. |
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