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A oitava onda de calor chegou na mudança do mês. O “forno ibérico” veio acompanhado de temperaturas muito elevadas e de noites escaldantes. Com o país em alerta e aviso vermelho, os efeitos não se limitaram aos já esperados incêndios (que também não faltaram). |
As autarquias tomaram medidas para proteger os mais vulneráveis e entre eles estão os que trabalham mais expostos ao calor da rua. Se para a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, as regras do Código do Trabalho chegam para proteger os trabalhadores, especialistas ouvidos pelo Observador apontam falhas a esta proteção. “Em teoria é possível enquadrar [a onda de calor] aqui, mas não há nenhuma norma que fale em temperatura extrema“, avisa a especialista em direito do Trabalho, Milena Rouxinol. |
Quem pôde ligou o ar condicionado e fez disparar o consumo de eletricidade. Nos dias 2 e 3 de julho foram batidos dois máximos históricos de procura para dias de verão. Já a CP optou por suspender preventivamente várias viagens, invocando o risco de incêndio e o impacto das temperaturas na rede ferroviária. Mas há relatos de avarias e falta de manutenção no ar condicionado das carruagens. |
A temperatura castigou as zonas mais urbanas e ajudou a precipitar uma crise no abastecimento de água no concelho de Almada. As falhas não são novidade, mas agora, repetiram-se e duraram muitas horas (continuam com falhas). A autarquia aponta o aumento acentuado das temperaturas como um dos fatores que está criar “uma pressão sem precedentes sobre a rede de abastecimento”, ampliado pelo crescimento da população sazonal no concelho. Diz que há uma subida anormal da procura na Charneca de Caparica, Sobreda, Lazarim e Costa de Caparica e impôs restrições a consumos não essenciais. |
O crédito para a compra de casa e ao consumo mais apertado |
O aviso já tinha sido feito. A corrida ao crédito está a ser acelerada pela garantia pública dada aos jovens e o Banco de Portugal reduziu a taxa de esforço máxima para quem pede um empréstimo ao banco para compra de casa. O pagamento do empréstimo podia pesar até 50% no rendimento disponível. A fasquia é agora reduzida para 45%. A medida entra em vigor a 1 de agosto para contratos de crédito celebrados a partir dessa data, mas os jovens vão ter mais tempo para pagar os empréstimos. |
A instituição alerta para um “gradual relaxamento dos critérios de concessão de créditos nos últimos anos” que resultou numa subida do nível do endividamento das famílias, apesar da redução das taxas de juro e de um maior rendimento disponível. O limite à taxa de esforço é uma recomendação do Banco de Portugal para os bancos, mas o governador Álvaro Santos Pereira já defendeu que estas regras macroprudenciais deviam ser vinculativas. |
A fraude nos combustíveis que sai cara ao Estado |
A dimensão das fraudes e da introdução irregular de combustíveis no mercado não tem parado de crescer nos últimos anos. Um estudo pedido pela EPCOL (associação das petrolíferas), e apresentado esta quarta-feira, estima em 460 milhões a perda de receita fiscal em IVA e imposto petrolífero para o Estado só em 2025. Desde 2023, os impostos perdidos ultrapassam os mil milhões de euros. Grande parte destas perdas incidem sobre produtos importados de Espanha por camião. |
A situação piorou em 2025 com a fuga para Portugal de operadores que atuavam em Espanha, quando este país apertou a malha na cobrança de IVA. Apesar de várias ações de controlo, o quadro legal dificultava uma fiscalização efetiva e não punia os infratores. As empresas que não liquidavam o IVA ou o ISP (imposto sobre os produtos petrolíferos) desapareciam do radar, para reaparecerem com outros nomes, mas os mesmos donos. Depois de vários alertas, o Governo decidiu mexer nos códigos do IVA e do ISP, mas estas medidas ainda vão demorar a ter efeitos no terreno. |

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A EMPRESA |
Num verão em que a privatização da TAP devia ser a estrela, um outro negócio está a agitar os céus europeus. A oferta de um fundo de investimentos americano pela Easyjet. |
A companhia low-cost com sede em Londres começou por rejeitar a oferta da Castlelake quando esta pôs em cima da mesa um cheque de 5,7 mil milhões de euros, mas sinalizou interesse. E quando o preço chegou aos 5,5 mil milhões de libras (6,4 mil milhões de euros), a administração da companhia inglesa aceitou negociar e aguarda uma proposta final até 3 de agosto. |
A Castlelake foi parceira da Air France-KLM na aquisição da SAS, tendo entretanto cedido a sua posição na companhia escandinava. O grupo franco-holandês, que é um dos candidatos à compra da TAP, já veio esclarecer que não está envolvido na proposta pela Easyjet. |
A principal competidora da Ryanair no segmento low-cost, a Easyjet é a segunda companhia aérea do aeroporto de Lisboa depois de ter ficado com os slots que a TAP teve de ceder. Se avançar, o negócio vai mexer com o setor europeu da aviação que tem estado a digerir a crise no jet-fuel e a subida dos preços provocadas pelo estrangulamento do Estreito de Ormuz. |
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