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A época é de férias. De calor e idas à praia. De viagens com a família e os amigos. Mas este ano, a época vem com contas extra para fazer. E não só para quem vai de férias. O aumento do preço dos combustíveis está a pesar no bolso dos portugueses há semanas. Nestes últimos dias de julho, o preço do gasóleo subiu nove cêntimos e ultrapassou os dois euros. A gasolina aumentou três cêntimos. O Governo voltou a baixar o imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), que neutraliza os ganhos do Estado com os preços mais altos, mas a revisão tem sido fraco consolo para famílias e empresas. |
O tema também é político. Tanto que o líder do Partido Socialista andava (até hoje) a pressionar mais o primeiro-ministro a dar explicações sobre o aumento dos combustíveis do que sobre o ministro Luís Neves, um dos temas mais quentes do verão. José Luís Carneiro alega que apesar da descida do imposto, o Estado está a lucrar com a subida dos preços. Uma tese que o Executivo se tem esforçado por contrariar, apesar de continuar sem prever novas medidas de apoio ou mitigação. Manuel Castro Almeida, o único governante a falar no assunto por estes dias, e porque foi questionado pelos jornalistas, vai dizendo que os aumentos são uma “péssima notícia” e que o Governo está “atento”. |
Na mesma segunda-feira em que os portugueses chegaram às bombas com o gasóleo a passar os dois euros, a Galp apresentou lucros de 812 milhões de euros no primeiro semestre, uma subida de 44%. A associação entre aumentos e lucros é expectável e, em resposta ao Observador, a co-CEO da Galp tentou afastar qualquer relação. Maria João Carioca justifica a subida dos lucros com o aumento da produção e a subida do preço do petróleo. E diz que 90% dos resultados são “gerados fora do país e em negócios que não têm a ver com a distribuição de combustíveis”. A Oriente, onde mora a verdadeira razão da subida dos preços, a tensão continua a escalar. |
Quanto vale a beleza em Portugal? |
A primeira loja abriu no final de 2019. O Ubbo, na Amadora, foi a localização escolhida em Portugal pela espanhola Primor, uma empresa familiar de perfumaria e cosmética fundada em Málaga em 1953. Antes da abertura física em Portugal, a loja online já era conhecida pelos portugueses pelos seus descontos em produtos de beleza. Daí que o sucesso das lojas Primor, que hoje conta com 25 espaços em Portugal, não tenha sido surpreendente. Nem para os clientes nem para a concorrência. Não se sabe desde quando é que a Perfumes & Companhia estava de olho, mas esta semana, o grupo Arié, que detém a cadeia de perfumarias, notificou a Autoridade da Concorrência sobre a compra do negócio da Primor em Portugal. O valor também é uma incógnita. |
A beleza é desde sempre um negócio que move milhões. Mas em Portugal o setor tem borbulhado ativamente nos últimos anos, sobretudo no pós pandemia. Neste tabuleiro, quem tem vindo a mexer as peças é a Sonae. O grupo liderado por Cláudia Azevedo pegou na marca de parafarmácias Wells e fez-lhe uma makeover quase total, tornando as lojas em espaços de bem-estar e beleza. A par da Wells, a Sonae juntou ao seu porfólio a espanhola Druni, que fundiu com a Arenal, ficando assim com uma ‘tripla’ que lidera o setor na Península Ibérica. |
O efeito das redes sociais, o envelhecimento da população e a “normalização” do consumo destes produtos, que deixaram de ser vistos como um luxo, são alguns dos fatores que os analistas encontram para explicar o fenómeno. |
Do Estoril à Mobi.e, o Estado pode estar de saída |
O universo é extenso e a lista variada. Mas pode estar prestes a encolher e a render mais de 20 milhões ao Estado. As 110 participações do Setor Empresarial do Estado (SEE) foram analisadas por um grupo de trabalho, que concluiu que oito não são estratégicas e devem ser vendidas. São elas a Circuito Estoril, a Ecosaúde, a EDMI, a Fernave, a Imofundos, a Metrocom, a Mobi.e e a Saros. Só a empresa que gere o autódromo do Estoril pode valer quase sete milhões de euros. |
As restantes 102 empresas têm “relevância para o interesse nacional”. Ainda assim, o grupo de trabalho admite vendas minoritárias de capital a “parceiros estratégicos”. Em particular em dois setores: na defesa, na holding pública idD Portugal Defence, e no setor financeiro, onde se admite a entrada de “bancos privados” e “instituições financeiras promocionais” no Banco Português de Fomento. A bola está nas mãos de Miranda Sarmento. |

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A EMPRESA |
“Vê lá companheiro, vê lá / Vê lá como venho eu”, cantavam antigamente os mineiros de Aljustrel. A vida nas minas continua a ser dura, mas a indústria passou por muita modernização. Ainda recentemente a Almina, a empresa portuguesa que explora hoje as minas de Aljustrel, anunciou um investimento de 400 milhões de euros que, como explica a Ana Suspiro, “combina desenvolvimento industrial com sustentabilidade energética e foi apoiado por fundos do PRR”. |
Só que nem tudo é moderno neste investimento “sustentável”. A Almina quer investir 250 milhões de euros na exploração de um novo jazigo de onde vai extrair cobre, e o transporte de minério a partir da mina de Aljustrel vai continuar a ser feito por camião. Isto apesar de existir um ramal ferroviário que poderia permitir o escoamento através de comboio. A empresa diz que vai, progressivamente, trocar a frota de camiões a diesel por camiões elétricos a partir de 2027. |
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