No artigo “O politicómetro explica o maior embuste da política”, referi que a esmagadora maioria dos meios de comunicação colaborou activamente ao longo de séculos com as correntes políticas de esquerda, para criar o embuste de classificar as políticas defendidas pelos partidos de esquerda como “boas” e classificar as políticas defendidas pelos partidos de direita como “más”.
Por coincidência, foi divulgada recentemente a deturpação feita pela BBC aos discursos do presidente dos EUA, que ilustra inequivocamente o colaboracionismo da BBC com a esquerda. O que ainda não se sabe generalizadamente é que a BBC (e não só) deturpa sistematicamente em favor da esquerda, como refere Alberto Gonçalves no artigo “O rigor mortis da BBC”, revelando apenas a ponta do iceberg.
Esse embuste assenta numa questão ainda mais profunda, que é o facto da esquerda ser contra os dois instintos básicos da natureza humana, a competição e a cooperação.
Está na natureza de qualquer ser vivo, vegetal ou animal, competir para sobreviver. A competição é o instinto mais básico de todos. Competimos para sobreviver ao lutar por alimentação (em geral, recursos) e ao lutar por integridade física (em geral, segurança, nuns casos defendendo e noutros atacando).
Com a evolução da espécie humana, tal como na generalidade dos seres vivos, foi sobressaindo outro instinto, o da cooperação, que é o segundo instinto mais básico. Ao cooperar, aumentamos a capacidade para enfrentar os desafios da sobrevivência, tanto na alimentação como na integridade física. Não são só os humanos, há incontáveis exemplos disso nos domínios vegetal e animal. Os leões ilustram-no bem, vivem em grupo e são mais eficazes do que em isolamento.
Devido ao instinto da cooperação, as sociedades humanas foram evoluindo em graus sucessivos de agregação:
Família ???? Clã ???? Tribo ???? Nação ???? País ???? Império ???? Civilização
Essa agregação tinha em vista atingir a segurança, mas nunca eliminou a competição, pelo contrário, as pessoas foram-se especializando em diferentes ofícios para melhor competir pelos recursos e, em simultâneo, foram delegando as funções de segurança, defesa e justiça num líder que exercia a autoridade no seio do agregado e cobrava tributos (impostos) para desempenhar essas funções.
Esses dois instintos básicos – competição e cooperação – coincidem com os dois eixos de aglutinação das políticas que referi nos meus artigos anteriores sobre o politicómetro:
- O eixo da economia está relacionado com a competição.
- O eixo da convivência está relacionado com a cooperação.
Como é que as correntes políticas de esquerda olham para isto? São contra!
No eixo da economia, são contra o instinto básico da competição, que corresponde ao primado do individual.
No eixo da convivência, são contra o instinto básico da cooperação, que corresponde ao primado do colectivo.
Ou seja, a esquerda é contra a natureza humana tanto na competição como na cooperação.
No eixo da economia, a esquerda é contra a liberdade de competição entre as pessoas e as empresas por elas constituídas, defendendo o primado do colectivo na condução dos assuntos económicos de uma sociedade e privilegiando uma economia planificada assente em iniciativa pública, empresas públicas, regulação extrema e condicionamento da concorrência. A esquerda tem uma atitude paternalista, defendendo que deve ser o Estado a prover às necessidades das pessoas, sem que elas tenham de competir e de se esforçar por isso.
No eixo da convivência, a esquerda é contra a autoridade resultante da necessidade de liderança em qualquer grau de agregação, o que se pode observar em várias matérias:
- Segurança: a esquerda defende polícia e defesa mínimas, com slogans como “paz no mundo”, “make love not war” e outras irresponsabilidades do género que partem do princípio de que os outros nunca nos vão querer dominar, o que é absurdo como se pode comprovar com a guerra da Rússia contra a Ucrânia ou com o aumento da criminalidade provocada por imigrantes não integrados na nossa cultura.
- Imigração: a esquerda defende a imigração sem critérios de integração, argumenta sonsamente com o humanismo de deixar os imigrantes terem melhor qualidade de vida no nosso país, ignorando (com ingenuidade ou com hipocrisia) que isso prejudica a qualidade de vida das restantes pessoas que já residem no país e corrói a coesão nacional.
- Justiça: a esquerda defende (e bem, tal como a direita) que o ónus da prova está do lado do acusador, mas defende igualmente (ao contrário da direita) a utilização de vários subterfúgios jurídicos para os prevaricadores escaparem, como podemos observar no caso do ex-primeiro ministro do PS. Curiosamente, a esquerda defende que o ónus da prova está do lado do acusado quando o Estado é a contraparte em matéria fiscal, o que é inconstitucional, mas nenhum partido político se opõe. Quando acabará este abuso do Estado? Terão todos os partidos “uma costela” de esquerda?
- Relações entre pessoas: a esquerda defende a liberdade quase total das pessoas, com poucas restrições, por exemplo aborto, mudança de sexo, eutanásia, prostituição, consumo de drogas. A esquerda ainda não defende o nudismo, mas defende a burca, que inibe a competição das mulheres pela diferenciação, inibe a cooperação das mulheres na sociedade como seres de pleno direito e inibe a identidade própria de cada mulher, ou seja, atira as mulheres para um estatuto de menoridade. Não surpreende que a esquerda seja contra a religião católica, que define regras de conduta limitando a liberdade das pessoas fazerem o que quiserem.
É por isso que devemos desconfiar sempre das ideias de esquerda, porque são contra a natureza humana. São contra os instintos naturais da competição e da cooperação.
Desconfiar não significa ignorar, a esquerda também contribui para a evolução das sociedades, por exemplo no campo económico, proibindo monopólios (excepto quando são do Estado) e proibindo o emprego de crianças. Dito isto, a nossa sociedade está inundada de políticas defendidas pelos partidos de esquerda, o que condiciona o desenvolvimento económico do país e erode a coesão entre as pessoas. Não admira o êxodo dos jovens depois de acabarem os estudos, é cada vez mais a resposta à pergunta “em Portugal, que futuro?”.