O Partido Socialista Unido da Venezuela, homólogo do PS em Portugal, ganhou as eleições no final de 1998 e Hugo Chávez foi presidente de 1999 a 2013. À boleia do enorme aumento do preço do petróleo, a riqueza dos venezuelanos aumentou de 1999 a 2012 e Chávez aproveitou para nacionalizar empresas, prender ou matar opositores políticos e impor a censura nos meios de comunicação.

Nicolás Maduro tornou-se presidente depois da morte de Chávez em 2013 e continuou o regime de terror de Chávez, levando à fuga do país de cerca de 8 milhões de pessoas e ao empobrecimento acelerado da população até 3 de Janeiro de 2026, quando os EUA o capturaram.

O que fizeram de imediato o PS e os restantes partidos da esquerda em Portugal? Manifestaram indignação, condenaram, exigiram libertação e vituperaram. Para eles, a repressão e a pobreza dos venezuelanos é irrelevante, o importante é, segundo dizem, o direito internacional.

Mas o que é o direito internacional?

Há vários documentos que o constituem, por exemplo a carta que instituiu a ONU (que aborda as relações entre países) e diversos pactos, declarações e convenções relacionadas com direitos humanos e outros. Destaco um em especial, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), da qual são signatários todos os países pertencentes à ONU.

O direito internacional é violado todos os dias, todas as horas, todos os minutos, pelos países autocráticos, que incluem as tiranias (China, Coreia do Norte, Cuba, Irão, …) e as pseudo-democracias (Angola, Moçambique, Rússia, Venezuela, …), em especial no que se refere à DUDH, mas o PS e os outros partidos de esquerda não dizem absolutamente nada sobre isso.

Também há vários políticos de direita (supostamente), historiadores, jornalistas, académicos, comentadores, entre outros, que alinham no mesmo discurso. São os chamados “idiotas úteis”.

Não têm noção de que, se vemos um ladrão a roubar e a maltratar alguém, devemos atacá-lo para proteger a vítima.

Foi isso que os EUA fizeram com o ladrão Maduro, que estava a roubar e a maltratar milhões de pessoas, mas para o PS, os restantes partidos de esquerda e os idiotas úteis, não pode ser.

Foi… e os venezuelanos voltaram a ter esperança de liberdade e progresso, embora ainda haja muita incerteza quanto a isso.

Entretanto, o PS, os outros partidos de esquerda e os idiotas úteis acusam os EUA de ter intenções de acesso ao petróleo da Venezuela. Uns ingenuamente, outros hipocritamente, omitem que a China já o faz de forma predatória há muito tempo, contribuindo para a pobreza dos venezuelanos e o recheio das contas offshore de Maduro e dos seus capangas.

Falta-lhes uma perspectiva essencial, como referi no artigo “Portugal está impregnado de paternalismo”: o grupo das civilizações submissas (as autocracias) é antagónico do grupo das civilizações livres (as democracias).

Devido à dimensão e ao crescimento económico e militar dos países autocráticos, os EUA deixaram há muito tempo de ter capacidade de impor a paz no mundo, como se pode comprovar por exemplo com a invasão da Crimeia pela Rússia em 2014, quando Barack Obama era o presidente dos EUA. Como está escrito no documento “National Security Strategy of the USA”, os EUA precisam de uma Europa forte para ajudar nesse antagonismo colossal com as autocracias. Não foi uma novidade trazida por Donald Trump. Também Barack Obama e Joe Biden insistiram repetidamente na necessidade de os países europeus aumentarem drasticamente o seu investimento em defesa, porque já nessa altura precisavam de uma Europa forte.

Os idiotas úteis não percebem isso. Os partidos de extrema-esquerda percebem-no muito bem, mas como defendem autocracias, todas as ocasiões servem para combater a democracia. Infelizmente, o PS está cada vez mais alinhado com a extrema-esquerda e também nos quer fazer acreditar que os EUA são nosso inimigo, mesmo sabendo que os EUA nos pedem para aumentar a nossa capacidade militar. Apesar desta contradição evidente, têm tido sucesso em convencer os idiotas úteis.

Além da questão da Venezuela, se a Europa fosse forte, o sobressalto com a Gronelândia não existiria. Mas a Europa é fraca e os movimentos anti-democráticos aproveitam-se disso para tentar colocar os países europeus contra os EUA, tanto em relação à Gronelândia como em relação à Venezuela. Quem beneficiaria desse confronto? Evidentemente, as autocracias. Assistiriam com gosto à aceleração da decadência da Europa, que já está em curso há décadas devido às loucuras woke que influenciam fortemente os órgãos de governo europeus e nacionais.

Resta-nos esperar que ainda haja uma réstia de bom senso nos líderes europeus para evitar esse confronto, porque em Portugal é difícil vislumbrá-lo.

As reacções à situação na Venezuela e na Gronelândia minam a coesão ocidental e ilustram que a esquerda quer a decadência europeia, contando cá com o PS e os restantes partidos.

Esta incerteza geopolítica afecta negativamente a confiança dos empresários e dos gestores de empresas. Portugal precisa de aumentar as exportações, mas os movimentos de esquerda em todo o mundo impedem que haja boas condições para o fazer.

Como resultado, temos demasiadas empresas focadas no mercado interno e dependentes dos subsídios do Estado.

Entre 2000 e 2023, a média dos subsídios dados pelo Estado às empresas foi de 63% do IRC. Em 2018 essa percentagem foi a mais baixa (38%) e em 2021 foi a mais alta (127%).

Os partidos que têm governado o nosso país nos últimos 50 anos gostam muito de subsidiar as empresas. Todos sabemos porquê. É difícil mudar a mentalidade e a prática paternalista.

Não seria preferível acabar com os subsídios e baixar o IRC em 63%? Seriam desnecessários milhares de empregos no Estado (é imperioso reduzir a sua dimensão), aumentaria a competitividade das empresas e diminuiria o paternalismo. E Portugal poderia ambicionar ser o maior exportador per capita do mundo.