Como era de esperar, os primeiros dados do Censos de 2021 deram lugar a numerosas intervenções acerca do facto de a população portuguesa ter diminuído, apesar da imigração, cerca de 2% desde 2011. Ao mesmo tempo, tem aumentado o «índice de envelhecimento», o qual se mede pelo número de pessoas com 65 e mais anos em relação aos jovens até aos 15 anos, elevando-se actualmente a 128, ou seja, 28% mais seniores do que jovens. Simultaneamente, a relação entre a população activa e o número de idosos diminuiu desde o início do século, de 4,1 para 2,9, havendo portanto uma pessoa menos a trabalhar comparada com o número de idosos.

Ora, a causa directa da diminuição do crescimento demográfico é, desde o Censos de 1981, a queda da natalidade para menos de 2,1 crianças por mulher fértil. De então para cá, esse índice manteve-se sempre abaixo do mínimo, caindo para menos de 1,3, especialmente quando há crises financeiras graves e se fecha a imigração. Entretanto, o crescimento económico mantém-se ao nível de estagnação desde o início do século. Foi assim que Portugal se tornou num dos países do mundo com menos nascimentos anuais (8:1.000 habitantes).   

Entretanto, nenhum governo tomou quaisquer medidas para incentivar a natalidade, excepto esperar por uma imigração tanto mais escassa quanto a economia estagna! Quanto ao envelhecimento populacional, a única medida dos governos tem sido entregar o número crescente de idosos aos «lares» das Misericórdias e de outras instituições sociais alegadamente sem fins lucrativos, com os conhecidos resultados da mortandade que tem continuado, apesar da vacinação, nos ditos «lares».

Não é por acaso que um artigo como o do economista Paulo Tiago Pereira permanece bastante silencioso quanto ao que seria necessário para inverter a nossa actual situação demográfica. Do ponto de vista da «sociedade civil», nomeadamente o sector feminino, o discurso dominante é o da «falta de vontade» de ter filhos (sic) devida à quebra dos casamentos e ao aumento das separações, como se o envelhecimento maciço da população mundial fosse uma mera questão de «vontade».

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