Odemira é hoje uma referência global na produção de pequenos frutos. Do esforço e do investimento de produtores agrícolas, empresas e trabalhadores, renasceu um território resiliente, inovador e com forte vocação exportadora. Mas, apesar do que se colhe todos os dias da terra, o caminho está ainda longe de concluído, ou sequer próximo da realidade que trará mais prosperidade para todos neste território.
Vivemos tempos exigentes. A crise climática acentua-se, os custos de produção aumentam e a instabilidade internacional aumenta, e a pressão sobre os recursos — em especial a água — obriga-nos a agir com visão, responsabilidade e urgência. É neste contexto que a estabilidade política assume um valor acrescido. Portugal tem hoje uma Assembleia da República eleita, um Governo legitimado e um Programa de Governo aprovado. Estes pilares garantem condições para que as decisões deixem de ser apenas intenções e passem, finalmente, à ação.
O Plano “Água que Une”, apresentado pelo Governo no final da anterior legislatura, apresenta um conjunto de soluções estruturais que garantem o acesso necessário à água, em todo o País, particularmente nas zonas mais afetas pela seca, como é o Sudoeste Alentejano e o Algarve. Soluções pensadas para o futuro, com visão de resiliência para responder ao impacto da ação climática que se faz sentir já hoje, mas com ambição de futuro, para que não voltemos a ontem já amanhã. A decisão política está tomada. Só falta fazer. E esse fazer é, hoje, o desafio da governação.
Acreditamos que o atual Ministro da Agricultura e Mar reúne todas as condições para concretizar o que muitos prometeram. Tem o conhecimento técnico, a proximidade ao setor e, esperamos, a coragem política de assumir e continuar a defender a agricultura como prioridade nacional. Neste caminho, estamos juntos. Os produtores agrícolas, em particular a Lusomorango, continua empenhada na colaboração para concretizar os objetivos e os investimentos que o país precisa — e sem os quais deixarão de ter condições para continuar a contribuir para a economia nacional e regional como fazem hoje.
É tempo de respostas. De concretizar. Além do Plano “Água que Une”, existe uma necessidade há muito identificada por quem trabalha a terra: simplificar, desburocratizar e facilitar a vida a pessoas e empresas. O Governo e o atual Ministro da Agricultura e Mar já afirmaram, publicamente, ser este outro grande objetivo para a legislatura que agora iniciou. Precisamos mesmo, que os organismos descentralizados do estado, em particular o ICNF, sejam aliados e não “entraves” das empresas na procura do desenvolvimento económico em plena harmonia com a preservação e conservação da natureza e do património natural dos territórios.
Odemira precisa de instrumentos de gestão territorial simples e acessíveis que permitam garantir a produção de alimentos, com rigor, qualidade, sustentabilidade e justiça. O setor dos pequenos frutos é exemplar nessa ambição: gera valor, cria emprego e ajuda a afirmar Portugal no mercado global. Mas precisa de condições para continuar a produzir e a gerar riqueza.
É com esta visão construtiva, mas exigente, que nos preparamos para mais uma edição do Colóquio da Lusomorango, que este ano reunirá especialistas de todo o setor, e não só, sobre o tema “Nutrir o Futuro”. Porque falar de produção é falar de futuro. E garantir a segurança alimentar e a eficiência e sustentabilidade produtivas do país é uma tarefa que começa no campo, mas exige decisões políticas estruturais e eficazes.