Vivemos tempos singulares na política mundial e nacional. Diariamente, somos confrontados com mudanças que se anunciavam há muito, mas que foram sucessivamente adiadas pela sombra do “politicamente correto” e pelo comodismo de uma classe instalada no poder.
O mundo tem o hábito de assobiar para o lado. Ignoraram-se os oito milhões de Venezuelanos forçados ao êxodo e o milhar de presos políticos reféns de um regime ditatorial — um silêncio que, por cá, até foi comprado a troco de uns célebres computadores “Magalhães”. Da mesma forma, o mundo assiste passivamente à opressão e ao fanatismo impostos ao povo do Irão pelos omnipotentes sucessores de Khomeini; um povo que, quem conhece, descreve como sendo de uma gentileza e trato inimagináveis, agora subjugado pelo medo.
Na Europa, a crise é evidente. Enquanto a França tenta neutralizar alternativas, surge Jordan Bardella, que pertence a uma nova geração. Bardella teve a inteligência de manter os valores do RN, mas com um discurso construtivo: provou que, para fazer diferente, não é preciso atacar o sistema, mas sim utilizá-lo para afirmar convicções. Entretanto, no topo da União, Ursula Von Der Leyen continua sem perceber o que os europeus querem, movendo-se apenas por agendas de lobbies. Se Merkel, outrora idolatrada, fragilizou a Alemanha, pelas opções que tomou, Von der Leyen, se não for travada, acabará por igualmente destruir a Europa.
Chegados aqui, olhamos para as nossas Presidenciais. Também por cá, as sondagens colocam na frente candidatos que os “iluminados” se recusam a aceitar. Temos andado também a assobiar para o lado, em nome de uma suposta estabilidade e de um rigor financeiro que serve de desculpa para a inércia.
Espero sinceramente que o povo saiba dar um sinal claro: estamos fartos de “mais do mesmo” ou de um “Marcelo II” em nome da conveniência. A mudança tem de começar por algum lado — por que não já nas próximas Presidenciais? Os Descobrimentos foram uma das épocas mais gloriosas da nossa História porque tivemos visão e coragem para arriscar. Talvez tenha chegado a hora de voltarmos a fazer o mesmo