Há um grupo de neurónios, sobretudo numa zona do cérebro preciosa para a fala, que se chamam neurónios-espelho. Esses neurónios fazem com que, só de olharmos um comportamento ou um estado emocional noutra pessoa (ou, até, noutro animal) ele se reproduza em nós. O que é lindíssimo! Porque isso quer dizer que ver e sentir (no corpo) andam de braço dado. Que sentir é intuir. Que conhecer significa reconhecer. Que sentir é imaginar e comunicar e interagir. Que observar o outro deixa de o tornar n’o outro e faz da sua ressonância imediata no nosso cérebro parte de nós. Que sensibilidade, palavra e acção precisem umas das outras para existir. E que a fala é aquilo que orquestra o que sentimos e vemos e, só dessa forma, conhecemos. Observar, sentir, imaginar, reconhecer, falar, conhecer e agir vivem uns para os outros! Por outras palavras, a empatia é um “equipamento de base” em todos nós. Natural como a sede. Desde o momento 0!
Daí que quando se fala a torto e a direito de empatia como um fast-food ou um “faça você mesmo” isso represente a forma batoteira com que aqueles que pensam, sobretudo, em si próprios nos enganam com a empatia que desprezam. Como se se chegassem à empatia com intenções, com tutoriais ou com livros de auto-ajuda e não só sentindo e escutando, humildemente, a ressonância dos outros em si.
Se a empatia é aquilo que nos aproxima, a bondade é o caminho com que se vai da empatia à vinculação. Quando duas empatias crescem para dois movimentos de bondade que se encontram numa mesma reciprocidade a isso chama-se comunhão. (Que se vive na relação pais-bebé, no êxtase, na beleza, na arte, no amor, nalguns momentos da sexualidade, no encantamento, no amor, no humor, no brincar ou na festa, por exemplo.) Comunhão é o contrário de confusão. Ou de indiferenciação. A bondade é a experiência de aproximação máxima entre duas pessoas quando se sentem uma na outra, olhos nos olhos, sem que, contudo, deixem de ser quem são ou se confundam.
Eu entendo o conflito como a distância mais curta entre duas pessoas que pensam de forma diferente ficarem mais perto. E a bondade como o caminho mais pequeno entre aquilo que nos separa e a experiência do sagrado. (`Comunhão e sagrado talvez queiram dizer a mesma coisa…)
É por isso que eu entendo que o Natal – por ser família, festa, amor, encantamento e beleza – não possa não ser comunhão, bondade e empatia. O que é que faz com que as pessoas se desencontrem da sua natureza humana? As palavras que deixam por dizer. Os conflitos que fazem por não viver. E os sentimentos que, de forma assustada, mesmo quando os sentem, recalcam para não sentir.
É estranho que tantas pessoas que trocam presentes tenham tanta dificuldade de fazer de cada um deles uma prova de vida (empática!) do lugar do outro dentro de si.
Ainda vai a tempo: faça cada presente com aquilo que sente. Bom Natal!!!