Guimarães, através de um trabalho persistente e continuado, levado a cabo pelo Município, pelo Laboratório da Paisagem e pela Estrutura de Missão 2030, conquistou o título de Capital Verde Europeia 2026. A primeira palavra é, por isso, de felicitação e de enaltecimento.
O desempenho excecional do território vimaranense em vários parâmetros ambientais permitiu que Portugal tenha, pela segunda vez, uma Capital nesta área, depois de Lisboa 2020. Se pensarmos que esta distinção corresponde a um caminho consolidado de afirmação de Guimarães, percorrendo uma história de reconhecimento internacional, que conta já com a inscrição do Centro Histórico na lista de Bens Património Mundial, desde 2001, pela UNESCO, ou os títulos de Capital Europeia da Cultura, em 2012, ou de Cidade Europeia do Desporto, em 2013, percebemos uma trajetória estratégica bem-sucedida.
Mais: a par de Lisboa e do Porto, Guimarães já tinha sido selecionada pela Comissão Europeia para integrar a Missão Cidades da UE, para 100 cidades neutras e inteligentes até 2030. Por várias razões, este é um prémio coletivo que resulta da maturidade do atual sistema de governança local, envolvendo a Câmara Municipal, as empresas, centros de conhecimento, juntas de freguesia e outros atores sociais.
Os resultados são evidentes. Guimarães será Capital Verde Europeia em 2026 pelo trabalho notável em várias dimensões: pela qualidade do ar, pela biodiversidade e pelas áreas verdes, pela gestão dos resíduos e pela respetiva economia circular, pela redução da poluição sonora e pela mitigação e adaptação face às alterações climáticas.
Este é, naturalmente, o momento do regozijo e da celebração, mas deve ser sempre o tempo do compromisso. A partir de agora, Guimarães tem um horizonte mais amplo e uma nova centralidade, que exige a ambição necessária e concretizadora de uma conceção de investimentos em infraestruturas, conhecimento, dinâmica empresarial sem precedentes na região, e a aposta em forte colaboração e planeamento regional. No Minho e no Norte de Portugal.
Este é mais um passo que reforça o enquadramento e a oportunidade do Metro de Superfície, desde logo por convergir para o desígnio da sustentabilidade e da neutralidade carbónica, mas também pelo quanto transforma o paradigma da mobilidade ecológica. Assim, não devemos ficar confinados à região mais circunscrita, mas antes optar por afirmar a sua força e de Guimarães enquanto arquiteta de um novo paradigma.
Pensar as realidades mais abrangentes, para elevar o seu potencial, é fundamental para o florescimento dos projetos de investimento a realizar. O novo ciclo que se abre impõe abordagens regenerativas, reconhecendo a necessidade de um trabalho que garanta a vitalidade e evolução de sistemas vivos com inspiração nas leis da natureza, assegurando a viabilidade dos projetos, onde Guimarães pode prosperar de uma forma notável.
O desafio maior é o da inovação e da distinção. Em que medida somos capazes de fazer diferente, ou seja, fazer melhor? O objetivo primeiro é ser exemplo, inspirando outras geografias, outros mundos, outras pessoas. Estou certo de que Guimarães tem a capacidade toda, dos seus técnicos e decisores, além da dedicação bastante dos vimaranenses para concretizar modelos inovadores no âmbito da sustentabilidade urbana. Sem deixar de contar com a sua dimensão ecológica da sua paisagem agrícola e natural, que se estende pelo concelho. Modelos que podem ser replicados por outros, acrescentando oportunidade ao que de melhor tem sido feito em matéria de ambiente e de sustentabilidade.