Não tive ainda a oportunidade de conhecer o presidente do Partido Socialista, Carlos César. Tenho a certeza de que um dia isso irá acontecer e que os nossos caminhos vão-se cruzar, especialmente pelo facto de Carlos César ser um político de carreira e um membro destacado da liderança do PS e eu fazer parte do tal “…epifenómeno…” chamado Iniciativa Liberal.

Eu até concordo com a denominação “epifenómeno”, sobretudo pelo facto de sermos em primeiro lugar algo de fenomenal (vá, alguma presunção não pode ser monopólio de César), e em segundo lugar porque somos um fenómeno que surge de uma causa primária tão básica como a ausência de partidos, e responsáveis políticos, com capacidade de representar de forma correta a sociedade de hoje.

Ainda assim, e sem conhecer pessoalmente o político da velha guarda em causa, e praticamente somente pelos seus comentários públicos, um dos primeiros pensamentos que me ocorre é a importância dos contos infantis na educação dos mais pequenos. Estimular o pensamento das crianças com formas simples como contos, e pegar no seu imaginário para os fazer perceber situações reais e transmitir valores morais, é de extrema importância para quando chegarem a adultos não se tornarem pessoas arrogantes e pouco humildes. Afinal de contas, as metáforas das fábulas infantis são aplicadas a diversos momentos da nossa vida adulta.

Deixo aqui algumas que me ocorrem e que podem ser usadas como reflexão dos comentários que fazemos em público quando abordamos a nossa “concorrência”.

A cigarra e a formiga.A cigarra passava o tempo todo a cantar, a aparecer em eventos e nas televisões e a falar sem grande conteúdo ou estratégia, enquanto que a formiga passava o tempo todo a trabalhar, nomeadamente naquilo que era importante para a sua sociedade e sempre em parceria com esta. Depois veio o Inverno, ou as eleições já não me recordo bem, e à Cigarra correu-lhe mal a vida. Basicamente porque só cantava e não se preocupava em trabalhar, ou apresentar resultados concretos a longo prazo, e foi castigada pelo Inverno, ou pelas eleições. Moral da fábula, com trabalho tudo se consegue.

A lebre e a tartaruga.Numa corrida entre as duas, a lebre ganhou uma distância tal que resolveu parar um pouco para descansar, porque tinha tempo de chegar à meta com tranquilidade. Dormiu demais e quando se apercebeu já era tarde e a tartaruga ganhou a corrida. Aqui também não me recordo bem, mas creio inclusive que havia uma série de tartarugas novas que deram à lebre uma lição sobre como vencer corridas. Ou eleições, não me lembro bem. Moral da fábula, a arrogância pode levar-nos ao fracasso.

A menina e o leite.Certa vez, uma menina ia vender o leite à feira para comprar ovos, para ter pintos, para ter galinhas, para ter mais ovos e mais galinhas e depois cabras e porcos e afins. No meio da divagação distraiu-se, tropeçou e caiu ficando o leite todo espalhado pelo chão. E os planos foram todos pelo chão com o leite. Moral da história, não se deve contar com algo sem o conseguirmos. (eu sei que esta não é uma fábula, mas é uma história infantil e serve o propósito).

Não me recordo de nenhuma fábula que fale sobre democracia e saber ser democrata, mas deve haver uma de certeza dado a incapacidade dos políticos de carreira em acreditar na democracia portuguesa e na capacidade dos portugueses verem alternativas.

Para terminar umas breves notas de correção sobre os comentários de Carlos César, se me é permitido. A Iniciativa Liberal não manifestou intenção de criar um partido político. A Iniciativa Liberal é o 22º partido político português. Compreendo que seja aborrecido para certas pessoas ou partidos, mas já existimos e viemos para ficar. Basicamente o grande objetivo é pôr em prática isto da Política, mas em bom e focado na sociedade no seu todo.

Sobre o seu comentário relativamente “…à ausência de conteúdo útil e próximos aos eleitores…” em Portugal, o mesmo também não está correto. Ao contrário do que é “normal” nos partidos existentes, em que um conjunto de cabeças pensantes, define, entre quatro paredes, o que consideram ser importante para os Portugueses, a Iniciativa Liberal deu aos Portugueses a oportunidade de contribuírem para o seu programa político. E dado o número de contributos recebidos, creio que é justo afirmar que o conteúdo não só é útil como reflete vontades e/ou necessidades reais de eleitores. Antes de ser Partido já o tinha feito ao permitir aos portugueses contribuírem para o Manifesto, que se tornou Declaração de Princípios do Partido, e está agora a fazê-lo para o seu programa eleitoral para as legislativas, europeias e regionais da Madeira. Se quiser pode contribuir aqui. Ao contrário do que existe hoje na política portuguesa, sobretudo naqueles Partidos que ocupam o Parlamento há anos, para a Iniciativa Liberal todos os contributos são importantes.

Portanto, sim caro Carlos César, nós somos alternativa. Não “…ao que quer que seja…”, mas sim ao que existe há quarenta anos e não é capaz de ser solução.

E sim, caro Carlos César. Nós estamos a falar muito a sério. Vemo-nos nas eleições. Nas de 2019 e nas outras que se irão seguir. Viemos para ficar. Até já!

Membro da Iniciativa Liberal