1 Nascimento conturbado. O CDS reúne-se em Congresso numa altura crucial da sua história. A data coincidirá com o aniversário do seu primeiro Congresso, há 45 anos.

Naquela ocasião, em Janeiro de 1975, movimentos organizados rodearam o Palácio de Cristal e quiseram impedir, pela força, a sua existência democrática. A mera possibilidade do CDS era contestada à nascença.

2 Divergir e antagonizar. A serenidade da sua proclamação política contra uma maioria inebriada e iludida – veja-se a declaração de voto contra a Constituição de 76 em que muito justamente se denunciavam as razões do engano e do empobrecimento que aquele texto representava -, a serenidade da sua proclamação, porque justa, verdadeira e equilibrada, irritava e gerava antagonismos. Dificilmente se era indiferente ao CDS.

3 Moderação e Coragem. O CDS nasceu na moderação, mas a sua moderação foi percepcionada pelos outros como extremada à direita. Na verdade, nunca nos libertámos da acusação de sermos os fascistas do regime.

A calúnia, porém, com que nos tentaram condicionar, nunca nos impediu de defender o que estava certo e era melhor para o País. E fizemo-lo com coragem e desassombro.

4 O PP. Cerca de 20 anos mais tarde, o CDS voltou de certa maneira a percorrer o mesmo caminho, desafiando o comodismo da maioria. Com Manuel Monteiro e Paulo Portas, o CDS repensou-se profundamente, afirmou um novo espaço político e com ele retomou a tradição da calúnia. O CDS passou a ser extremista, populista e mais um par de botas. Os últimos 25 anos foram em grande medida o resultado desse impulso.

5 Resignação e comodismo. E hoje, onde andam aqueles que lhes seguiram as pegadas? Hoje, aqueles que tomaram conta do Partido não afligem ninguém fora das suas paredes. Independentemente do mérito e do talento inegável de alguns, impressiona ver que a rebeldia de outrora se foi lentamente acomodando, sem nenhum rasgo marcante nem nenhuma intuição disruptiva para propor aos eleitores.

6 To be or not to be. O que está em causa, pois, no próximo Congresso não é apenas a escolha de perfis de candidatos mais ou menos competentes, com quem temos maior ou menor empatia. O que está em causa é a própria razão de ser do CDS. Se não formos provocação, sinal de contradição, corremos o risco de ser dispensados.

Francisco Rodrigues dos Santos é, neste sentido, o candidato que dá maiores garantias. Desde logo, porque rompe com a indiferença generalizada. Com ele temos a certeza de que voltarão as calúnias, os condicionamentos, e apedrejamentos públicos (que de resto e como é tradicional no nosso Partido, já começaram dentro de portas). CDS que é CDS gosta disso. Ficamos nervosos quando recebemos mais mimos do que impropérios por parte dos nossos adversários – como acontece com a generalidade dos outros candidatos presidenciáveis. Francisco Rodrigues dos Santos é merecedor dessas calúnias, precisamente porque é corajoso e desafia a sonolência instalada. Diz coisas obviamente sensatas e justas e razoáveis, que por o serem suscitam ódio e raiva e tudo menos indiferença. Mas o mais importante não é isso. O mais importante é que ele sabe bem que o seu papel é representar, ser a voz do eleitorado do CDS, de quem continua a acreditar que para ter razão não é preciso nem levantar a voz, nem extremar a razão que temos. Basta simplesmente ter a coragem de afirmar o que está certo mesmo que contra uma maioria iludida e enganada.