Tudo está bem quando acaba bem, certo? Agora que todos os fugitivos de Vale de Judeus já foram recapturados, está na hora de repensarmos o que poderia ter sido feito para evitar esta fuga. A evasão de cinco reclusos de uma prisão de alta segurança em Portugal revelou fragilidades alarmantes no sistema de segurança. O episódio foi chocante não só pela rapidez – apenas seis minutos –, mas também pelas falhas humanas e tecnológicas que possibilitaram o incidente. Será que esta fuga poderia ter sido evitada com o uso da Inteligência Artificial (IA) e da Automação Inteligente (AI)? A resposta é, sem dúvida, afirmativa.

Como sabemos, a prisão em questão albergava 500 reclusos e contava com apenas 30 guardas, apoiados por um sistema de videovigilância com 200 câmaras. Contudo, falhas de segurança passaram despercebidas. Ninguém detetou uma escada a ser atirada para dentro das instalações, nem as luzes exteriores sabotadas semanas antes. Uma tentativa prévia de fuga, que deveria ter servido como alerta, foi desconsiderada. Por fim, o alerta global foi dado apenas 60 minutos depois da fuga.

No entanto, um dos aspetos mais delicado foi a gestão das 200 câmaras por um único operador humano. Ou seja, um sistema de segurança de alta importância que depende exclusivamente da atenção e capacidade de resposta de uma única pessoa. A dependência excessiva de supervisão humana revelou-se uma limitação grave num ambiente de alta segurança.

A solução para um acontecimento assim, deixou de ser “ficção científica”. A resposta para prevenir este tipo de falhas passa, indubitavelmente, pela integração da IA e da AI. Estas tecnologias já são utilizadas com sucesso em diversos setores e poderiam ter desempenhado um papel crucial na deteção e prevenção da fuga.

Por exemplo, na automatização de tarefas. Com a implementação de um sistema de IA, os sistemas de vigilância alimentados poderiam monitorizar facilmente as 200 câmaras em tempo real. Utilizando a deteção de objetos e reconhecimento de padrões, o sistema poderia identificar objetos suspeitos, como escadas, pessoas a usar roupas invulgares ou comportamentos anormais. Além disso, a IA poderia detetar anomalias, como luzes avariadas ou defeituosas que criam pontos cegos de segurança, de forma muito mais eficaz do que um único operador humano.

Quando certas condições fossem cumpridas, o sistema poderia acionar alertas imediatos, de forma a automatizar os fluxos de trabalho. Caso fosse detetado um objeto como uma escada ou luzes apagadas, poderia abrir automaticamente um pedido de manutenção ou notificar a equipa de segurança. No caso de atividades suspeitas, um alerta automatizado poderia ser enviado diretamente aos guardas, incluindo todas as informações necessárias (localização, vídeo da câmara e ações sugeridas), permitindo uma resposta mais rápida.

A IA não só deteta problemas, como também pode prever riscos e ajudar na tomada de decisão. Por exemplo, durante os períodos de visita, poderia ajustar a sua sensibilidade para considerar o facto de que a equipa de segurança pode estar mais dispersa. Ao analisar múltiplos fatores, como a presença de visitantes, iluminação fraca e objetos como escadas, a IA poderia sinalizar anomalias e priorizar respostas de segurança.

Estes inputs seriam avaliados continuamente pela IA, libertando os humanos para se concentrarem em tarefas onde realmente fazem a diferença.

É importante dizer que a questão essencial não é substituir humanos por máquinas, mas sim potenciar a capacidade dos profissionais através da tecnologia. Em vez de analisar manualmente centenas de câmaras, um operador humano interviria apenas quando necessário. A IA lidaria com tarefas repetitivas e transacionais, enquanto os humanos concentrar-se-iam na tomada de decisão e na validação, aplicando o seu julgamento nos momentos mais críticos.

Este incidente destaca uma questão mais ampla, relevante para diversos setores: a necessidade de os trabalhadores modernos serem capacitados por sistemas inteligentes, e não sobrecarregados por eles. Seja na segurança, no atendimento ao cliente, na administração ou em projetos de transformação digital para o meio corporativo, a combinação de IA e IA promove uma entrega inquestionável, que permite que os trabalhadores giram tarefas, otimizem fluxos de trabalho e tomem decisões informadas. Em ambientes onde cada segundo conta, como o de uma prisão, estas tecnologias já não podem ser consideradas como um luxo, mas uma necessidade.