Começou a pré-campanha eleitoral na Região Autónoma da Madeira, e com ela o ruído habitual associado à comunicação política.
Nos últimos dias e ainda a frio, assistimos a várias tendências no sentido de captar a atenção dos eleitores cujo ruído consegue ser ensurdecedor para qualquer cidadão menos informado.
Desde o “Alzheimer político” de alguns partidos que ziguezagueiam na sua ação política, ora contra, ora a favor do partido dominante, à apropriação de medidas apresentadas por outros partidos, numa espécie de vale tudo desde que a mensagem passe, o clima transformou-se do deserto de ideias à primavera de propostas que se vão conhecendo.
Por um lado a estratégia de luta através da utilização de cartazes políticos pelos partidos que mais verba têm para a campanha, numa relação direta com os supostos casos menos aprazíveis de alguns dos seus representantes, nada contribui para o esclarecimento.
Por outro lado avistam-se promessas e propostas claramente inexequíveis, mas que escapam ao cidadão comum, que as consome como mais um consumidor voraz de palavras e frases feitas.
Nesta fase todos se dizem transparentes, cheios de propostas e ideias, esquecendo tudo o que defenderam no passado recente e contraditoriamente alguns votaram no hemiciclo.
Num amontoar cada vez maior de partidos que concorrem nas eleições regionais , o corropio de iniciativas de cada um enche as páginas dos órgãos de comunicação e das suas páginas institucionais nas redes sociais.
A grande dificuldade neste momento parece residir na incapacidade de qualquer cidadão no consumo e percepção das diferenças entre cada proposta, pois não assistimos a esclarecimentos de como as propostas serão implementadas e o custo real das mesmas.
Ora esta dificuldade estratégica em explicar e exemplificar qualquer medida pode claramente contribuir para a fraca perceção da realidade nos eleitores menos atentos, que por sua vez, cansados do discurso populista ou pouco instruído, não se identificam com essa forma de fazer política, contribuindo, também, para o aumento da taxa de abstenção.
Pelo andar da carruagem, pouco ou nada se vislumbra para a contribuição da desconstrução da imagem que os eleitores têm da nossa classe política.
Perante grandes desafios a nível Nacional e Internacional, numa situação de clivagem eminente na aliança euro atlântica, numa região com um papel fundamental nessa dinâmica, espera-se mais dos atores políticos e das instituições que suportam.
Nunca é demais lembrar: se pecar por excesso pode ser negativo, sofrer de um “Alzheimer político” pode ser ainda mais danoso.
O futuro deve ser encarado com maior responsabilidade e esse é o papel que nenhum político se deverá esquecer.