Já não há dúvida! Deixámos de ser livres. Não sei como chegámos até aqui. Em nome de um bem maior, que afinal mais não é do que um mal menor, permitimo-nos deixar de ser livres. Passámos a ser oprimidos e violentados, obrigados a cumprir regras (que mais não deviam ser do que apenas recomendações). Regras essas que, se não cumpridas, nos impedem de nos alimentarmos (pois não podemos entrar em restaurantes e supermercados sem máscara), nos impedem de brincar (fecharam todos os parques infantis), nos impedem de gostar, de tocar e de sentir (querem criminalizar as festas e a socialização dos jovens).

Permitimo-nos deixar de ser livres e perdemos um dos maiores bens que o ser humano pode ter: a liberdade de escolha.

Só nos estamos a aperceber  agora, quando queremos fazer a nossa vida e não nos deixam.

O que acontece a um país, quando aqueles que o dirigem perderam todo o bom senso e obrigam o seu povo a fazer coisas com as quais, aqueles que delas discordam, se sentem profundamente violentados, quer com a subserviência a que se veem obrigados, quer com o cumprimento de regras absurdas e sem quaisquer provas dadas?

Passámos a ser um país em que as palavras que mais vemos são “obrigatório” e “proibido”. Não nos deixam escolher. Para sermos um país livre temos que ter liberdade de escolha. As medidas não têm qualquer prova dada, pelo que não deviam ser impostas, deveriam ser recomendações. Em termos de saúde pública, até alterações de comportamento com eficácia comprovada são apenas recomendações. Tal é o caso de recomendações como “não fume”,  “pratique exercício físico”, “controle a tensão arterial e a diabetes”. São unicamente recomendações e as pessoas são livres de acatarem ou não essas mesmas recomendações. Também as regras da DGS sobre a “pandemia” da Covid-19 não deveriam ser mais do que recomendações: recomendamos o uso de máscara, recomendamos o distanciamento social a quem assim o entenda, recomendamos um determinado número de pessoas por metro quadrado em espaços fechados, recomendamos, preferencialmente, refeições não buffet. Se as coisas fossem postas desta maneira, continuaríamos a ser livres porque, quem assim o entendesse usaria máscara, distanciar-se-ia socialmente dos outros e seguiria as recomendações e quem assim não o entendesse não usaria máscara e poderia fazer a sua vida como anteriormente. A injustiça é gritante porque quem quiser usar máscara (uma minoria) pode fazê-lo em todo o lado mas, quem não a queira usar, só pode fazê-lo em sua casa ou ao ar livre. Mais, caímos no ridículo em que uma parte da população civil acha que pode opinar e dar ordens aos outros, como se fossem melhores do que esses outros. Foi desta forma que começaram muitas ditaduras e muitas guerras.

Tiraram-nos a liberdade e tornaram-nos mais tristes. Encerraram os parques infantis porque é proibido as crianças brincarem juntas, querem tornar crime as festas dos jovens porque é proibido os jovens socializarem, querem impedir idosos de permanecerem junto aos seus cônjuges se estes testarem positivo, mesmo que não tenham um único sintoma e  mesmo que os idosos supliquem que não querem ser separados. Utilizam ignorantemente um teste em pessoas que não têm doença, projetando uma falsa imagem do que se passa em Portugal e dando motivos aos outros países para recomendarem aos seus habitantes que não frequentem o nosso.

Prejudicam-nos todos os dias, destroem a nossa vida todos os dias e nós, passivos, deixamos que assim seja.

Só fazem connosco aquilo que nós deixarmos. Tem sido assim ao longo da história da humanidade: os ditadores só o são enquanto, pelo medo, impõem a sua força. E, mesmo assim, na história da humanidade, as revoltas são constantes.

Ao ouvir os meus pacientes, cada vez mais assisto à revolta nas pessoas. Revoltadas por aquilo que são obrigadas a fazer em nome da prevenção de uma doença em que, mesmo tendo a DGS alterado completamente as causas de morte (e tendo tido que ser chamada à atenção pela OMS), incrementando o número de mortos com Covid-19, mesmo assim, esta doença não tem sequer metade dos mortos que habitualmente tem uma época ligeira de gripe. Mas não há maior cego do que aquele que não quer ver.

Os nossos dirigentes continuam cegos à crise e à revolta que está a aumentar na nossa população.

Criminosamente, as notícias continuam a falar apenas da doença Covid-19 e dos óbitos com Covid-19. Ignoram, propositadamente, todas as outras doenças e todas as outras mortes que ocorrem diariamente e em número brutalmente maior, no nosso país. Se não morreu com Covid-19 não interessa. Até nisto, os nossos dirigentes se tornaram profundamente injustos. Negligenciam o sofrimento por todas as outras causas: o sofrimento causado pela falta de liberdade, o sofrimento causado pelo não atendimento atempado de quem sofre por outros motivos, o sofrimento causado por quem está desempregado e não vê hipótese de emprego próximo. Querem tornar crime os ajuntamentos de pessoas (mas só alguns ajuntamentos e só de algumas pessoas). Mas não tornar um crime a perpetuação das medidas que estão a aumentar os suicídios, estão a aumentar o desemprego, estão a aumentar a tristeza das crianças e jovens, a tornar as suas aulas e avaliações anedóticas, a aumentar o desespero dos idosos. Medidas que estão a tornar o nosso país cada vez mais pobre, o nosso povo cada vez mais triste. Não tornam criminosas as medidas que, impostas apenas por alguns, com uma falta de bom senso gritante, obrigam uma maioria a ser infeliz. É fácil pôr a culpa num vírus que, alheio aos disparates dos homens, tem causado apenas em Portugal (como nos seus congéneres) nada mais do que um quadro respiratório semelhante a uma gripe. E é até, verdade seja dita, mais benigno do que uma gripe, porque praticamente não afeta nem crianças nem adolescentes. Todos nós sabemos que na altura da gripe, é habitual haver salas nas creches com metade das crianças e salas de aula com metade dos alunos, todos doentes em casa, com febre e tosse. Esta doença nem sequer isso faz. Não só causa menos de metade dos mortos (mesmo com as falsas causas de morte), como 95% daqueles que testam positivo não têm doença ou só têm doença ligeira. Mesmo assim, continuam a implementar, no nosso país medidas que estão a causar uma catástrofe sem precedentes, negligenciando de forma teimosamente cega as consequências dessas medidas implementadas, negligenciando a revolta crescente que a população vai sentindo contra elas.

É impressionante: as pessoas estão revoltadas, as pessoas estão tristes e quem nos dirige não quer saber.

O que fazer? Pergunto-me muitas vezes o que fazer, quando quem se auto-atribui o dever de nos proteger e olhar por nós, na sua cegueira, é o principal causador da nossa doença, quem nos causa sofrimento, quem contraria a nossa liberdade.

Pode ser que o facto de sermos, qualquer dia, o país mais mal falado da Europa e que, de forma mais ignorante, aplica testes para a doença Covid-19, envergonhe quem nos dirige e então, cabisbaixos, os nossos dirigentes invertam a marcha e nos passem a ajudar, não por nós, mas apenas para não ficarem mal na fotografia!