As próximas eleições Presidenciais revestem-se de particular importância, seja por todas as forças parlamentares apresentarem o seu candidato (excepto o PANe o JPP) seja pela proximidade nas sondagens entre os quatro principais candidatos (Gouveia e Melo, André Ventura, Marques Mendes e António José Seguro) o que parece tornar inevitável uma segunda volta. O que torna também estas eleições especiais é a entrada em cena de um candidato capaz de baralhar as contas, alguém que vindo da realidade militar é capaz de recolher simpatias da direita à esquerda e, apesar de vir em decrescendo, a realidade é que já está a condicionar os candidatos tradicionais. Se é verdade que no parlamento a direita apresenta uma força raramente vista, nestas eleições os candidatos desta área política procuram alargar a sua base de apoio, tentando pescar nos partidos concorrentes. A ausência do líder natural e incontestado da direita, Pedro Passos Coelho, tendo contribuído para esta profusão de candidaturas, faz com que os candidatos da direita procurem chamar a si aqueles que eventualmente se sentem órfãos do “Passismo”.
Comecemos esta análise por aquele que, teoricamente, estaria na linha da frente para recolher os votos dos “Passistas”, Marques Mendes. Se é verdade que partilham a filiação partidária, é inegável que a ausência de Passos Coelho no almoço de apoio à candidatura de MM que juntou os ex líderes do partido é um sinal por demais evidente que Passos não se revê no candidato, Marques Mendes procurou desvalorizar, mas a proximidade nas sondagens aconselharia, talvez, uma maior preocupação com este eleitorado.
Ironicamente, nestas eleições Pedro Passos Coelho estará mais próximo do candidato de PS do que do PSD; António José Seguro partilha com Passos Coelho um “ódio de estimação” a António Costa e a tudo o que este representa politicamente, são ambos lesados do “Costismo” e ambos avisaram para o terrível legado que Costa deixaria ao país. Tinham razão.
João Cotrim de Figueiredo estaria, eventualmente, bem colocado para aglutinar estes votos, infelizmente para ele Pedro Passos Coelho nunca foi um liberal “em toda a linha” como é Cotrim, ou seja, Passos Coelho até pode ser liberal na economia, mas nunca o foi em matéria social e de costumes, basta lembrar a sua posição contra a eutanásia. Além disso Cotrim já provou que é incapaz de ser um árbitro imparcial como um Presidente tem de ser; aquando da sua saída da liderança da Iniciativa Liberal foi no próprio dia a correr apoiar Rui Rocha condicionando através da sua influência no partido qualquer outra candidatura. A forma como atacou Carla Castro no seu livro acusando-a de falta de “lealdade” (eventualmente por esta ter ousado avançar contra o candidato por si apoiado) mostra uma personalidade incapaz de lidar com a diferença e com opiniões contrárias o que o desqualifica enquanto candidato presidencial.
Passos Coelho não aparece muito e também por isso quando aparece é notícia. Foi isso que aconteceu quando apresentou o livro “Identidade e Família”, um livro rema contra a maré do wokismo, reconhecendo a família nuclear como a célula fundamental da sociedade. A presença de André Ventura na mesma apresentação levou à histeria de alguma comunicação social e “comentariado”. Passos tem vindo igualmente a alertar, mesmo antes da existência do Chega, do perigo da imigração descontrolada, tema também ele na agenda de André Ventura; este disse mesmo que se o ex primeiro-ministro tivesse avançado ele não seria candidato. André Ventura foi o primeiro a perceber a importância deste eleitorado e desta forma está, em minha opinião, muito bem colocado para recolher os votos destes eleitores.