“No mais eu quero dizer-vos que somos humanos e que às vezes erramos”. Foi desta forma cristalina mas igualmente despudorada, que Mariana Mortágua tentou, atabalhoadamente, justificar o despedimento de cinco trabalhadoras que tinham sido mães recentemente, estando mesmo algumas ainda a amamentar. Uma das trabalhadoras, mãe de uma bebé de 9 meses relata em carta como a despediram por telefone, apesar de se encontrar na sede do partido, colocando uma substituta ao seu lado enquanto esta ficou sem funções. Vitor Machado foi outro dos trabalhadores do Bloco de Esquerdo a quem foi apontado o caminho de saída, neste caso o funcionário refere que parte do ordenado, cerca de 400 euros, seria pago em dinheiro vivo.
Depois do caso Robles, o BE volta a mostrar-nos a sua verdadeira face. A 13 de janeiro 2025 Mariana Mortágua deu uma conferência de imprensa na qual apresentou um conjunto de medidas de combate a um problema que é segundo a própria “silencioso no nosso país, mas que está a afectar cada vez mais pessoas, trata-se da vaga de despedimentos que percorre o nosso país.” Para combater o flagelo dos despedimentos o BE traçou um plano que passava por: “reforçar a fiscalização por partes da Direção-geral do Emprego e das relações laborais e também da ACT para ter a certeza de que todos os despedimentos estão dentro da lei e não estamos assistir a deslocalizações de empresas com lucros, sem motivos para despedir.” Oito dias depois desta linda prosa a revista Sábado noticia os despedimentos feitos por estas mesmas pessoas que estão a ser investigados pelo Ministério Público; até seria cómico senão fosse trágico.
A grande maioria dos que têm ou já tiveram negócios sabem bem da dificuldade que é ser empresário em Portugal, toda a carga burocrática envolvida, todos os organismos estatais que requerem licenças e alvarás, já para não falar da rigidez das leis laborais e da carga tributaria asfixiante; sobre as dificuldades dos empresários nunca se ouviu uma palavra aos dirigentes do BE, toda a sua prosápia foi sempre dirigida em tom acusatório aos empresários, aos que criam postos de trabalho e riqueza. No discurso do BE a palavra “despedimento” sempre foi uma palavra maldita, este seria sempre um acto praticado pelos malvados capitalistas sem coração, nunca percebendo que à maioria dos patrões não lhes causa qualquer prazer despedir, mas que muitas vezes essa é a única solução, seja para salvar a empresa e os outros postos de trabalho, seja porque de facto o trabalhador não se adequa à função.
Sejamos claros, a cúpula do BE foi e é constituída por pessoas sem qualquer noção de decência, ética e vergonha, as suas práticas além de provavelmente constituírem crimes, são de uma desumanidade atroz; perante mulheres frágeis e vulneráveis os dirigentes do BE fizeram aquilo que fazem os piores patrões, humilharam, chantagearem e recorreram ao bullying, colocando sobre estas uma pressão perfeitamente injustificada e que estas dispensavam e não mereciam.
Todo este infeliz caso prova (se ainda faltassem provas) que o BE e aquilo que representa é dispensável a uma sociedade que se quer justa, moderna e solidária. Hoje a única coisa que o BE e os seus dirigentes têm a oferecer é inveja aos que trabalham e ganham dinheiro e sobranceria e humilhação aos mais frágeis e vulneráveis. Que de uma vez por todas o BE seja colocado no seu devido lugar, ou seja, na irrelevância de onde nunca deveria ter saído.