As eleições presidenciais de dia 8 de Fevereiro marcarão a política portuguesa nos próximos 20 anos. O resultado ditará com que força o PS se reerguerá nos ombros de Seguro ou, se pelo contrário, o Chega se lançará definitivamente como o grande partido de direita em Portugal, capaz de disputar o primeiro lugar em eleições legislativas. Estas são eleições unipessoais onde concorrem pessoas e não partidos, no entanto é impossível ignorar que os dois protagonistas deste embate têm atrás de si uma história, um percurso e uma vontade de futuro, ou seja, o resultado destas eleições marcará definitivamente o equilíbrio de forças também no parlamento.

É por esta razão que quando o eleitor escolher entre António José Seguro e André Ventura está a escolher muito mais do que “apenas” o próximo Presidente da República, estão em disputa duas visões diametralmente opostas do país que somos e, mais do que isso, do país que queremos ser nas próximas décadas. Estas eleições poderão, finalmente, mostrar o juízo que os portugueses fazem da governação socialista dos últimos 25 anos.

Sejamos claros, André Ventura pode ter muitos defeitos mas uma coisa é certa, não se lhe pode assacar qualquer responsabilidade no estado a que o país chegou, André Ventura nunca pertenceu a um governo nem o seu partido alguma vez fez qualquer acordo que suportasse um governo, nem se pode dizer que AV não o tenha querido ou tenha fugido às suas responsabilidades, pelo contrário, foi sempre do lado do PSD e do governo que foi levantado o muro que impediu qualquer contacto de Ventura com o poder.

O mesmo já não se pode dizer do seu adversário nesta segunda volta das presidenciais António José Seguro, este foi líder da Juventude Socialista de 1990 a 1994, deputado do PS de 1991 a 1995, secretário de Estado da Juventude e mais tarde, secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro no XIII Governo Constitucional, eurodeputado entre 1999 e 2001, tendo depois renunciado ao mandato e assumido a pasta de ministro adjunto do primeiro-ministro de Julho de 2001 a Abril de 2002, liderou a bancada parlamentar do PS entre 2004 e 2005 e foi Secretário-Geral do PS entre 2011 e 2014. Seguro teve, portanto, uma acção governativa activa e responsabilidades efectivas naquilo que é Portugal em 2026.

Para terminar não resisto em transcrever uma parte de um discurso de António José Seguro em 2013, altura em que ocupava o cargo de Secretário-Geral do Partido Socialista e Vice-Presidente da Internacional Socialista, dizia então AJS: “O governo português, sob orientação da União Europeia e da maioria conservadora que a governa,  está a aplicar a receita do empobrecimento,  do ajustamento económico e financeiro sem preocupações sociais  e do desmantelamento do Estado social. Para os ultraliberais a resposta passa por menos Estado,  por maior desregulação dos mercados  e por menos proteção social. Querem um Estado mínimo  que deixa cada pessoa à sua sorte, entregue a si própria.”

António José Seguro nunca fez mea culpa nem pediu desculpa sobre o estado calamitoso em que José Sócrates e o PS deixaram o país. E continua: “Tentam-nos convencer que não há alternativa à austeridade,  a esta globalização desregulada dos mercados,  às privatizações,  à baixa de salários  e ao desemprego…Só o primado da política e da democracia sobre os mercados para acabar com a especulação financeira oferece uma resposta às injustiças do mundo…O problema é das políticas conservadoras que nos trouxeram até à crise financeira internacional… Os atuais líderes europeus, de maioria liberal e conservadora não têm o direito de destruir o projeto humanista mais relevante da nossa história contemporânea.,, Os atuais líderes europeus, de maioria liberal e conservadora são directamente responsáveis pelos nacionalismos que se propagam por toda a Europa, apoiando políticas de imigração e de integração cada vez menos inclusivas ou tolerantes… Queremos uma europa mais democrática, queremos uma Europa Federal”.

Resumindo, a responsabilidade sobre a bancarrota e a vinda da troïka com todos os sacrifícios a elas associados não foram, na opinião de Seguro, responsabilidade da governação irresponsável e despesista do PS mas sim da “direita ultraliberal e conservadora”. A minha questão honesta é, com que cara é que liberais e sociais-democratas aparecem agora a defender o voto em António José Seguro se este é contra tudo, mas mesmo tudo, o que estas pessoas andaram anos a dizer nas televisões e a escrever nos jornais?

Um político mede-se pela capacidade de colocar os interesses do país à frente dos seus interesses particulares e do seu partido, sociais-democratas e liberais prestam um péssimo serviço ao país quando permitem toda esta lavagem do que foi a governação socialista dos últimos 25 anos apelando de forma despudorada e “desmemoriada” ao voto em António José Seguro.

Reabilitar Seguro é reabilitar uma forma de fazer política ultrapassada e despesista que apenas gera pobreza, fome e desespero. Reabilitar Seguro é reabilitar o Partido Socialista. Não há bom nem mau PS, só existe um PS, o péssimo PS.

Por todas estas razões, no dia 8 de Fevereiro voto pelo futuro de Portugal, voto André Ventura.