A presidência de Donald Trump nos Estados Unidos já começou a trazer consequências negativas para Portugal. As novas tarifas aduaneiras impostas por Washington atingem diretamente setores estratégicos da economia portuguesa, como os vinhos, o azeite, os têxteis e os produtos agrícolas, setores que não só criam emprego, como também representam o melhor do que exportamos para o mundo. Num momento em que deveríamos reforçar as nossas parcerias comerciais, assistimos ao erguer de barreiras por parte de um antigo aliado.
Mais chocante ainda é o apoio público de André Ventura e do Chega a estas políticas. Ao invés de defender os interesses da economia portuguesa e das famílias afetadas, Ventura prefere alinhar-se com uma visão protecionista e isolacionista que prejudica diretamente Portugal. Esta atitude revela uma perigosa inversão de prioridades: quando um partido nacional prefere a fidelidade a um líder estrangeiro em vez da defesa dos seus próprios cidadãos, a soberania torna se uma palavra vazia.
Perante este novo contexto internacional marcado por instabilidade, ameaças híbridas, guerras à porta da Europa e desrespeito crescente pelas regras multilaterais, Portugal precisa de se preparar. Isso exige mais do que discursos; exige ação estratégica. É neste ponto que deve regressar ao debate uma proposta que, durante anos, foi descartada por preconceito ideológico: a reintrodução do serviço militar obrigatório.
Reativar o serviço militar obrigatório não é uma medida anacrónica nem belicista. É uma resposta realista e necessária à crescente vulnerabilidade das democracias ocidentais. O serviço militar pode funcionar como escola de cidadania, de preparação física e mental, de coesão social e de prontidão estratégica. Ao contrário da visão deturpada de alguns setores políticos, a sua implementação moderna e adaptada aos tempos atuais pode fortalecer o tecido social e dotar os jovens de competências úteis para a vida civil e profissional.
No entanto, qualquer debate sério sobre defesa nacional deve também abordar a importância da NATO. A Aliança Atlântica continua a ser o pilar fundamental da segurança coletiva dos países europeus. Ignorar ou subestimar o seu papel, como fazem partidos como o Livre, PCP e Bloco de Esquerda, é um erro grave. A retórica de que Portugal deveria “rever” a sua presença na NATO
ou adotar uma posição “neutra” em matéria de defesa é não só perigosa, como irresponsável. Num mundo onde a Rússia invade países vizinhos, onde o terrorismo continua a ser uma ameaça real e onde novas potências desafiam a ordem liberal internacional, enfraquecer o nosso compromisso com a NATO é abrir mão da nossa segurança.
É necessário dizer com clareza: não há defesa nacional robusta fora do quadro da NATO. E a esquerda que sonha com neutralidades poéticas ou utopias pacifistas deve compreender que a paz se constrói com força, diplomacia e alianças sérias não com slogans de cartaz.
Felizmente, Portugal teve neste governo da “AD” um Ministro da Defesa com visão estratégica: Nuno Melo. Em pouco tempo, tem promovido avanços notáveis na modernização das Forças Armadas, na valorização dos militares e no reposicionamento da Defesa como uma pasta central da política externa e interna. Melo compreende que a soberania nacional exige investimento, planeamento e sentido de missão e tem sabido traduzir essa visão em ações concretas.
É neste contexto que se tornam ainda mais relevantes as eleições legislativas de 18 de maio. Estas eleições não são apenas um momento de escolha interna: serão observadas com atenção pelos nossos aliados internacionais e representarão um sinal claro sobre o rumo que Portugal pretende seguir. Continuaremos a ser um país comprometido com os seus valores democráticos, com a NATO, com a estabilidade europeia e com a defesa dos interesses nacionais? Ou cederemos à tentação de discursos radicais, isolacionistas e perigosamente alinhados com agendas externas que nos prejudicam?
O mundo está a mudar e Portugal tem de decidir de que lado quer estar. O voto de 18 de maio será determinante não só para os próximos anos de governação, mas também para o papel que o nosso país assumirá no palco internacional.
Portugal não pode continuar a adiar estas discussões. A realidade impõe-nos escolhas difíceis, mas urgentes. Manter o atual rumo de desprezo pelas questões de defesa, como fazem setores da esquerda, ou alinhar cegamente com agendas externas prejudiciais, como faz a extrema-direita, é abdicar do nosso futuro.
É tempo de restaurar o compromisso com a soberania, com o serviço ao país, com alianças estratégicas sólidas e com uma juventude preparada. Essa é a resposta que Portugal precisa e que os portugueses devem afirmar, com força, nas urnas a 18 de maio.