A sociedade portuguesa lidou muito bem com o novo desafio da grande guerra, acolhendo 60 mil refugiados da Ucrânia. Assim como os portugueses fizeram no século passado ao salvar milhares de judeus do genocídio nazi. Essa é a cultura da nação — saber receber.

Graças à política correta, os ucranianos integraram rapidamente e muitos já encontraram seu lugar no “novo mundo”, colocando em prática suas habilidades e profissões. Mas a guerra não acabou e todas as manhãs, para a maioria dos ucranianos, começam com a busca por notícias sobre a Ucrânia.

A minha casa escapou dos novos ataques aéreos? Todos os meus parentes e amigos sobreviveram a esta noite? É especialmente difícil para as crianças e os idosos passarem por isso. Quase todos os dias, membros da Associação Ucraniana em Portugal são convidados a assistir ou traduzir conversas entre a direção e os professores das escolas com os pais ucranianos. Vemos um grande desejo por parte dos educadores portugueses de ajudar, mas o stress da guerra é um trauma extremamente difícil, especialmente quando a guerra não acaba. Por isso, há dois anos, todos os sábados, sob sol ou chuva, os refugiados da Ucrânia se reúnem na Praça D. Pedro IV para lembrar sua dor e gritar: nos ajudem! Sem a sua ajuda, a Rússia nos destruirá até o último ucraniano!

Esta praça em Lisboa foi escolhida por uma razão. Os ucranianos simbolicamente estão diante do teatro de ópera, lembrando o cruel assassinato de crianças e mulheres em Mariupol, que se esconderam no teatro dramático e foram atingidas por uma bomba pesada lançada por aviadores russos, embora do céu fosse claramente visível a palavra “crianças” feita pelos habitantes de Mariupol, na esperança de que os russos não matassem civis. Estes foram os tempos mais difíceis para os ucranianos. Ainda mais difícil foi para os refugiados de Mariupol, que conseguiram escapar do inferno, verem reportagens de “jornalistas independentes” e “expertos” transmitindo a propaganda russa para as sociedades europeias. Como, por exemplo, Bruno Carvalho, que na época em que os russos massacravam civis em Mariupol colaborava com os assassinos russos e justificava seus crimes.

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Felizmente, a sociedade portuguesa sabe distinguir entre propaganda e informação independente, e as mentiras do comunista Bruno Carvalho não influenciaram o apoio de Portugal à Ucrânia. Mas dói muito para os ucranianos, especialmente os refugiados. É uma ferida viva que não cicatriza. Para os refugiados ucranianos, é ainda mais difícil refutar a propaganda devido à barreira linguística. Ainda mais porque Bruno Carvalho e outros “agentes do Kremlin” bloquearam todos os ucranianos ativos em suas páginas nas redes sociais, para que ninguém pudesse refutar suas postagens manipulativas. A única forma de mostrar sua posição são os protestos.

Portanto, os ucranianos compareceram à apresentação da nova propaganda de Bruno Carvalho “A guerra no Leste”, com cartazes  dizendo: “Somos de Mariupol, pergunte-nos!” Mas descobrir a verdade não era o objetivo daqueles que foram à apresentação do livro. Isso, também foi confirmado pelo gesto de uma das apoiadoras de Bruno Carvalho, que simbolicamente fez gesto que atirou nos ucranianos com uma metralhadora quando estes estavam cantando o hino da Ucrânia. Na apresentação do livro de Bruno Carvalho em Coimbra, os ucranianos não foram autorizados a entrar na sala. A polícia brutalmente expulsou os ucranianos da apresentação do livro sobre a Ucrânia!

Na própria apresentação do livro na Livraria Buchholz em Lisboa, cravos vermelhos foram distribuídos como símbolo da revolução de 25 de abril.

Isso foi muito cínico e falso. Porque no 50.º aniversário da “revolução dos cravos”, foram os próprios comunistas que traíram os valores da democracia, tornando-se o megafone dos regimes totalitários e terroristas em Portugal.

Um megafone de mentiras e propaganda que mata.