Trabalho

Geração millennial: os jovens que são bons demais para qualquer emprego /premium

Autor
19.939

Existe uma coisa chamada humildade. Uma coisa chamada espírito de equipe. Uma coisa chamada maturidade. E daqui a pouco eles chegam aos 30 anos sem fazer nenhuma ideia do que essas coisas significam.

Há quem diga que millennial é quem nasceu nos anos 80 e 90. Há quem diga que são os dos anos 2000. Há bastante discussão sobre isso, mas enfim, nesse texto, estou, de fato, me referindo, em média, aos nascidos a partir do começo dos anos 90. Uma curiosa geração que nunca tem dúvidas acerca do seu superestimado valor.

Parece que assim que os anos 90 chegaram, surgiu uma estranha geração de jovens intocáveis, que parece ter certeza de que sua presença no planeta terra é uma grande honra para todos. Já ouvi, mais de uma vez, millennials dizerem coisas como “eu não pedi para nascer” para justificar seus comportamentos de criança de 5 anos, quando já estão na casa dos 25. É claro que há exceções, mas são tantos com esse perfil, que a generalização se torna inevitável.

Eu sinceramente não entendo. Parece que até o fim dos anos 80 nos ensinaram a estudar, trabalhar duro e tentar ser feliz. Uma lógica bem simples para a vida. Nos ensinaram a respeitar hierarquias e, acima de tudo, nos ensinaram o significado da palavra “oportunidade”. Aprendemos a agarrar as oportunidades, a suar para merecê-las e a sermos gratos por elas.

Mas de repente apareceu uma geração que acha que são as empresas que têm a “oportunidade” de contratá-los. Ou seja, que é aquela tal grande honra para todos, o fato de poder contar com a presença deles. Chegam em entrevistas de trabalho e, em vez de tentarem mostrar seu melhor, começam a questionar o que empresa tem para lhes oferecer. Se enxergam sempre como os titulares dos direitos e nunca como os devedores de nada.

Nunca acham que são valorizados o bastante. Deveriam ganhar mais. Deveriam trabalhar menos. Frases como “não estudei tanto para ficar carregando papel” ou “aquela vaga não é compatível com as minhas ambições” são ditas por gente de 22 anos, sem qualquer tipo de experiência, ainda vivendo às custas dos pais. Eles selecionam, analisam, criticam e concluem que nada é bom o bastante para eles.

A noção de cooperação também é bastante remota na cabeça dos millennials. Se encontram um papel amassado no chão, não cogitam pegá-lo e jogá-lo no lixo. O raciocínio é “não fui eu que joguei, não tenho que pegar”, exatamente como fazem as crianças de 5 anos. Mas facilmente se sentem ofendidos se ninguém se habilita a ajudá-los com seus prazos e suas crises.

Nos dias em que uma bomba explode e é preciso trabalhar até um pouco mais tarde, recorrem a filosofias carpe diem e vão embora no seu horário normal. Nos dias em que atrasam um relatório e precisam ficar até mais tarde, consideram-se os grandes injustiçados da história. Dois pesos, duas medidas.

Sou a primeira a defender as jornadas de trabalho justas e não excessivas, assim como concordo que todo profissional deva ser valorizado. Mas, antes disso, existe uma coisa chamada humildade. Existe uma coisa chamada espírito de equipe. Uma coisa chamada maturidade. E daqui a pouco eles chegam na casa dos 30 anos, sem fazer nenhuma ideia do que essas coisas significam.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Morte

Em que momento a dor de uma morte passa? /premium

Ruth Manus
16.005

Aprendi a nunca dizer “seja forte” para alguém que perdeu alguém que ama imensamente. A nunca dizer “siga em frente” para quem viu boa parte da vida perder o sentido. Aprendi a simplesmente abraçá-los

Trabalho

Teletrabalho é modernidade laboral

Fabiano Zavanella
230

Defendemos que a tecnologia, aliada ao teletrabalho, é uma contribuição enorme para o problema da mobilidade urbana, principalmente nos grandes centros, e uma das soluções para minorar o desemprego.

Museus

Preservação do Património Cultural

Bernardo Cabral Meneses

As catástrofes ocorridas no Rio de Janeiro e em Paris deverão servir de exemplo para ser reforçada a segurança contra incêndios nos edifícios e em particular nos museus portugueses.

Liberdades

Graus de liberdade /premium

Teresa Espassandim

Ninguém poderá afirmar que é inteiramente livre, que pouco ou nada o condiciona, como se a liberdade significasse tão só e apenas a ausência de submissão e de servidão.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)