A sociedade moderna habita numa bolha de emoções sem tempo: homens e mulheres vivem num tempo ilusório cuja equação de reagentes e produtos se compõe por fenómenos de  ansiedade, escapismo, nostalgia de momentos passados e por fenómenos recheados de expectativas futuras.

E com isto entendemos como os níveis de frustração que culminam numa saúde mental altamente comprometida atingem recordes de incidência que se alastra pelas várias faixas etárias.

Assim define-se a depressão como a grande epidemia do nosso século.

O conceito romântico do “carpe diem” ou do “seize the day” invade-nos de forma sedutora e compõe uma melodia que se torna realista através das práticas de Mindfulness e de Meditação tão procuradas nos nossos dias pela geração do presente.

E não é a geração do presente aquela que sai às ruas pelo ambiente, aquela que pretende viver de forma mais saudável através da alimentação e do exercício e aquela que reconhece que o corpo só é são em mente sã.

As práticas de Mindfulness não só nos direccionam para uma vivência no relógio do tempo presente devido à sua prática quotidiana, mas também nos fazem progredir no desenvolvimento da nossa inteligência emocional.

Este conceito em voga nos nossos dias surgiu na realidade em 1995, através do best-seller de David Goleman.

Naquele ano a revista Time surpreendeu o mundo com una capa que referia que o QI não nos garante o êxito. Definiu que o verdadeiro indicador do sucesso é na realidade o QE.

A Inteligência Emocional refere-se à capacidade que uma pessoa tem para reconhecer e identificar as suas próprias emoções e as dos outros. A IE pode-se aprender e treinar, sendo uma das metas para 2019 do “The Future and Education on Skills” da OCDE que pretende que os adultos do futuro desenvolvam características relacionadas com a Inteligência Emocional tais como a curiosidade, a tolerância, o autocontrolo e a resiliência.

Regiões como o Reino Unido, Malta e as Ilhas Canárias já têm em curso como disciplina obrigatória a educação emocional através de aulas de 90 minutos semanais nas quais se fornece aos alunos as ferramentas necessárias para gerir conflitos, adversidades e situações inesperadas.

Talvez já não seja possível transformarmos a liderança dos decisões do tempo presente com vista a resolver grande parte dos nossos problemas através da liderança empática que se coloca na pele do outro e está recheada de Inteligência Emocional.

Mas ainda vamos a tempo através da educação de formar desta forma os líderes do futuro.

A eles caberá fazer a fibra límbica que une homens e mulheres prevalecer sobre a fibra tecnológica e artificial.

A receita é simples e foi-nos deixada por Aristóteles em “Ética a Nicómaco”: qualquer um pode ficar furioso, isso é fácil. Mas ficar furioso com a pessoa correcta, na intensidade correcta, no momento correcto, pelo motivo correcto e de forma correcta, isso não é fácil.”