Numa democracia moderna e exigente, há dois pilares que não podem ser comprometidos: a liberdade e a transparência. São estes os alicerces que sustentam uma sociedade verdadeiramente democrática, onde os cidadãos podem confiar nos seus representantes e as decisões são tomadas de forma clara e responsável. É precisamente por acreditar nestes valores fundamentais que, embora me identifique como social-democrata e não liberal, vejo no João Cotrim Figueiredo uma escolha que transcende as linhas partidárias.

Ao longo dos anos, temos assistido a partidos como o PS e o PSD tolerarem casos de corrupção e apoiarem figuras envolvidas em escândalos, como se viu recentemente com o apoio a Isaltino. Além disso, há uma aceitação tácita — e, por vezes, até ativa — de ligações a organizações discretas, como a maçonaria ou o Opus Dei. O problema não está apenas na existência dessas associações, mas também na forma como sua influência escapa ao escrutínio democrático e à transparência institucional. Quando estas redes se insinuam no aparelho de Estado, minam a confiança pública e capturam o regime por dentro.

A Constituição da República Portuguesa é clara ao estabelecer que o Presidente da República deve ser independente dos poderes legislativo e executivo. Mas essa independência — para ser plena — tem de ir além da mera desvinculação do governo ou dos partidos: deve também ser uma independência real face a qualquer organização com agendas paralelas ou interesses ocultos. E como essas associações atuam na sombra, como redes fechadas e não escrutináveis, a única forma de garantir essa independência é eleger alguém que nunca participou nelas — e que, mais do que isso, as rejeite de forma clara e inequívoca.

João Cotrim Figueiredo é, a meu ver, essa pessoa. Ao longo da sua carreira política e pública, tem mantido uma postura coerente, livre de conivências, amarras e cumplicidades com os jogos de bastidores que dominam grande parte da política nacional. A sua intransigência pela liberdade e pela transparência não é tática, é estrutural. Como Presidente da República, traria essa exigência ética para Belém, promovendo um novo paradigma em que os cidadãos podem voltar a confiar no mais alto magistrado da Nação como garante da República — e não como mais um peão nas mãos do sistema.

O meu apoio a Cotrim Figueiredo vem precisamente desse reconhecimento: de que precisamos de alguém que não tema enfrentar essas zonas cinzentas e que defenda uma democracia onde todos, independentemente das suas convicções, possam viver com liberdade, verdade e clareza. Porque a democracia não se defende só nas urnas ou nos discursos: defende-se nas escolhas, nos princípios e na coragem de romper com o que está podre — mesmo quando todos à volta já se habituaram ao cheiro.