Jovens com overdoses de pornhub® e tinder®, sem género, sem rumo, em autodestruição e a viverem na casa dos pais.

Procurando como todas as gerações, a sua realização pessoal e profissional, e um mundo onde se possam enquadrar e ser felizes. Criaram-lhes a ilusão de que tudo tem que ser fácil e sem esforço. Tudo é rápido e centrado neles próprios. Todas as relações humanas são interesseiras, e todas, mesmo todas, têm sempre uma porta de saída que está permanentemente aberta.

Para eles o compromisso é praticamente impossível e a isso chamam liberdade.

E dizem, do alto da segurança do seu saber, que só a juventude proporciona: Eu tenho direito a ser feliz, e vão irracionalmente e hormonalmente atrás disso.

Mas afinal, o que é ser feliz? Será apenas o gozo momentâneo? uma bebedeira numa noite de farra?

Um jovem Namora com a A, porque o faz feliz, porque o preenche, mas rapidamente isso deixa de o satisfazer, e procura novamente outra felicidade, e assim sucessivamente, saltando de felicidade em felicidade, com pausas de: “isto já está muito visto, já não é a mesma coisa, já não sou feliz”.

E consomem grandes quantidades de pornografia desde tenra idade e de forma descontrolada, o que lhes desordena o imaginário e lhes cria expetativas e sonhos pertencentes  a uma realidade inalcançavel e falsa.

Essa atividade faz com que percam imenso tempo, mas também lhes destrói os relacionamentos porque nenhuma mulher ou homem real serão como as do computador ou telemóvel. Muitos acabam por pura e simplesmente desistirem dos relacionamentos, estacionando numa solidão física e emocional, que lhes magoa a alma.

E nós, sociedade, criamos gerações de homens e mulheres cada vez mais inseguros, deprimidos, desesperadamente à procura de uma fantasia aparentemente sedutora, mas que na realidade só traz infelicidade e crise atrás de crise.

Gerações emocionalmente em becos sem saída, permanentemente e ansiosamente à procura do paraíso, só porque acham que merecem.

Tudo se resume ao utilitarismo, tudo é rotina, tudo é banalizado, tudo é vazio, instintivo e sem grande significado.

E existe o onlyfans®, onde se explora monetariamente a fraqueza psicológica e a solidão. Local onde meninas julgam poder encontrar a fortuna, em troca da sua intimidade.  Na realidade não é assim, a média de recebimentos é muito baixa e por uma atividade que ficará para sempre na Net. Fotos e filmes que um dia poderão chegar ao pai, a um familiar ou a um futuro namorado.

E porque existe este mercado do onlyfans®? Porque existem homens e mulheres que pagam por coisas que já têm gratuitamente na internet? muitas vezes endividando-se e perdendo a família. Será que é, porque com razão ou sem ela, se sentem insignificantes, sozinhos, carentes, ou pura e simplesmente são uns animais que vivem comandados pelos seus instintos mais básicos?

E, assim se constrói uma sociedade doente, depressiva, uma sociedade sem verdadeira liberdade nem felicidade. Uma sociedade  que vive como um ratinho na sua gaiola, contente às voltas na roda onde julga que está a salvar o mundo e de onde mostra com orgulho a sua singularidade e liberdade que se resume a dois pelos de cor estranha no alto da cabeça. No comedouro têm a ração, prémio pela escravidão e pela obediência ao politicamente correto.

Precisamos de perceber e viver a verdadeira liberdade, para a poder alcançar.

Precisamos perceber o que é amar. Que o verdadeiro e mais satisfatório amor é uma porta que abre para fora e não para dentro, como nos tentam convencer.

Precisamos assumir compromissos, e perceber que não existe amor sem dor.

Hemingway no velho e o mar, apresenta um velho azarado que continuava a sair, uma e outra vez, para o mar que tanto amava, nada o fazia desistir, “o homem não foi feito para a derrota,….um homem pode ser destruído, mas não derrotado”.

A mãe que se levanta às 4 da manhã para cuidar do seu bebé, e que sabe sem que isso a preocupe, que nunca receberá do filho amor em igual proporção. O marido que procura sempre dar mais à sua esposa que a ele próprio. O amigo que se sacrifica pelo seu amigo sem esperar nada em troca. Os Cristãos que veem na cruz dor, que é amor.

Temos que lutar, persistir, racionalizar, e perceber que ninguém se salva ou é feliz sozinho.

Nós, os mais velhos, a começar por mim, temos muitas responsabilidades em tudo isto, mas também temos a experiência e o mundo que só os anos trazem.

Ainda podemos mudar o mundo, só temos que  começar por nós, por arrumar o nosso quarto, ou seja a nossa cabeça.

E isto deve acontecer não por sermos bonzinhos e fofinhos, deve acontecer porque o futuro, incluindo o nosso é deles, é desta juventude de hoje.