Será este um momento para envolver ainda mais os jovens nas suas comunidades? Tem a juventude um papel neste momento de crise? Serão eles parte da solução?

O tempo que vivemos veio testar a nossa paciência e resiliência, perante um desafio coletivo para o qual todos fomos chamados, sem exceção. Para a geração mais velha trata-se de mais uma superação entre outras que já viveram, mas para a mais nova revela-se uma desconstrução, quase em absoluto, da realidade que tinha dado como adquirida.

As alterações à ordem pública, causadas pelo isolamento e afastamento social, tão necessários por estes dias, criaram “novas” realidades para a juventude. O fecho de fronteiras, o encerramento de escolas, a suspensão das atividades recreativas, desportivas e culturais, entre outras medidas adotadas para combater a pandemia causada pelo Sars-CoV-2, são inéditas para os jovens, que acredito que de hoje em diante valorizem ainda mais a liberdade de livre circulação dada pelo projeto europeu, o acesso à educação conquistada pela república e as livres conversas de café garantidas pela democracia, além do precioso acesso à saúde, para o qual serão sempre curtos os elogios e poucas as palavras de agradecimento para todos os profissionais que reagem energicamente a esta provação mundial.

Sabendo-se de uma forma mais empírica, do que científica, que os jovens seriam os menos afetados pela Covid-19, a ação da tal nova geração, a que muitos chegam a apelidar de desinteressada e egoísta, eclode por todo o nosso país. Jovens, mais ou menos organizados em associações juvenis ou grupos informais, agem movidos pela vontade visceral de mudar o mundo. A esta geração mais inclusiva, plural e defensora de uma efetiva igualdade de oportunidades, cujas causas superam as ideologias, coube o sentido de missão de proteger os mais vulneráveis, assumindo-se como parte da solução num contexto tão disruptivo como o que atravessamos.

A atitude propositiva, que o voluntariado jovem corporiza, confere à juventude um papel no apoio às suas comunidades, sustentado pelo seu potencial de inovação e criatividade social, aliado à irreverência e energia natural de gerações mais novas. Assim, eles assumem parte da resposta a esta crise pandémica, contribuindo para a resolução de problemas sociais, que vão desde a companhia à feitura de tarefas de rua aos idosos, até ao apoio a outros jovens cujo estudo em casa se revela um desafio, envolvendo-se e reforçando laços com a sociedade.

O tempo que esta crise concedeu a cada um de nós e em particular aos estudantes e trabalhadores em casa ou em layoff, permite que esta determinação dos jovens em serem agentes transformadores e de mudança, já comprovada pela participação cívica da juventude nas causas do clima e da crise dos refugiados, seja agora ainda mais evidente quando estes dedicam o seu tempo a ações solidárias que se traduzem em atos de elevado altruísmo.

A história desta crise, que começa num problema de saúde pública e vislumbra-se que termine numa recessão económica, irá fazer da juventude uma vítima, retardando o seu futuro e ameaçando a tão almejada emancipação condigna. Estes que agora são parte da solução, face à sua vulnerabilidade associada a primeiros empregos, vínculos precários, rendas habitacionais e jovens famílias, serão os mais afetados num período pós-pandemia. Nesse momento, a solidariedade mudará de sentido, não só porque a Constituição através do seu artigo 70º assim o exige, mas por justiça e equilíbrio social para a minha geração.

Agora, é tempo de solidariedade e de voluntariado jovem, o amanhã logo veremos. Agora, impõe-se a vida.