Rádio Observador

Liberdades

Liberdade para os actos bons vs liberdade para os actos maus

Autor
  • Vicente Ferreira da Silva
159

Nazistas, fascistas, marxistas e trotskistas acontece serem todos inimigos da liberdade e da democracia. Hitler e Mussolini tinham mais em comum com Marx e Trotsky do que com qualquer pensador liberal

Inicio este artigo com estas cinco citações, perguntando-me quem será capaz de identificar os respectivos autores.

  1. “O liberalismo negou o Estado no interesse do indivíduo em particular; O fascismo reafirma o Estado como a verdadeira realidade do indivíduo.”
  2. “O caminho para o socialismo passa por um período de maior intensificação possível do princípio do Estado (…), [o qual] antes de desaparecer, assume a forma da ditadura do proletariado, ou seja, a mais implacável forma de Estado, que limita autoritariamente a vida dos cidadãos em todos os sentidos”
  3. “Deixe-me dizer em que acredito: no direito do homem de trabalhar como quiser, de gastar o que ganha, de ser dono de suas propriedades e de ter o Estado para lhe servir e não como seu dono. Essa é a essência de um país livre, e dessas liberdades dependem todas as outras.”
  4. “Logo que a sociedade conseguir abolir a essência empírica do judaísmo – o tráfico de influência e as suas condições prévias – o judeu tornar-se-á impossível, porque sua consciência já não tem um objecto, porque a base subjectiva do judaísmo, a necessidade prática, foi humanizada e porque o conflito entre a existência individual e sensual do homem e sua existência genérica foi abolida.”
  5. “Nós somos socialistas, somos inimigos do actual sistema capitalista que explora os economicamente fracos, com salários injustos, com uma avaliação imprópria de um ser humano de acordo com a riqueza e a propriedade, em vez da responsabilidade e do desempenho, e estamos determinados a destruir este sistema sob todas as condições.”

Note-se que só um dos autores das frases supracitadas era um defensor da liberdade e da democracia. Todos os outros preferiam regimes totalitários que eufemisticamente apelidavam de democráticos.

A 8 de junho de 1978, Aleksander Solzhenitsyn alertou para a decadência dos alicerces da democracia ocidental e para os perigos que se colocavam ao futuro da liberdade. Aquilo que Solzhenitsyn classificou como “freedom for good deeds and freedom for evil deeds” é hoje uma realidade inquestionável que promove o desaparecimento da pluralidade e aprofunda a polarização da sociedade num confronto ideológico que, apesar de desfasado da vivência social, continua a persistir e a negligenciar a procura de compromissos com aqueles que pensam de maneira diferente.

A teimosia em afirmar que existe uma democracia boa e uma democracia má, para além de estar a subverter a própria democracia, só tem servido para promover a mediocridade e a corrupção em detrimento dos princípios e comportamentos éticos.

É neste contexto da liberdade para os actos bons e da liberdade para os actos maus, que os partidos com matriz totalitária, como o PCP e o BE, apregoam incessantemente a dita liberdade dos actos bons: os deles! E reforçam essa ideia apontando o dedo às ditaduras e ao ressurgimento do nacionalismo e populismo de direita enquanto desculpabilizam e ignoram as ditaduras, o radicalismo e populismo de esquerda.

Não há ditaduras boas! Uma ditadura de direita não justifica uma de esquerda nem o contrário o faz. Tanto o corporativismo de Salazar, o fascismo de Mussolini e o nazismo de Hitler foram tão maus como o socialismo e/ou comunismo de Estaline, Mao Tsé-Tung, Mengistu Haile Mariam, Pol Pot ou, mais recentemente, a dupla Chávez/Maduro.

Há um traço comum entre nazistas, fascistas, marxistas e trotskistas: são todos inimigos da liberdade e a da democracia. É importante afirmá-lo. Assim como é essencial nunca esquecer que Hitler e Mussolini tinham mais em comum com Marx e Trotsky do que com qualquer pensador liberal.

É de estranhar que Jerónimo de Sousa pergunte o que é uma democracia? O líder comunista não sabe o que é uma democracia. Nem tampouco acredita nela. Porém, discutir o que é uma democracia não é de todo uma má ideia. Não são apenas os comunistas que precisam de aprender o que é a democracia.

Possuidores duma máquina de propaganda que faria corar Paul Joseph Goebbels, também não é de admirar que o BE deturpe sistematicamente a verdade. Então os portugueses que ganham 650€ pagam taxas moderadoras? O que é mais plausível? Que o BE desconheça a portaria 24/2019 e o decreto-lei 113/2011 ou que está deliberadamente a enganar os portugueses?

Tenham muito cuidado com aqueles que dizem praticar a liberdade dos bons actos. Eles não acreditam na pluralidade e tudo o que desejam é acabar com o regime democrático.

Professor convidado EEG/UMinho

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
25 de Abril

Princípio da União de Interesses

Vicente Ferreira da Silva
359

O nosso sistema de governo promove desigualdades entre os cidadãos, elimina a responsabilidade dos titulares de cargos públicos e limita as liberdades, os deveres e os direitos fundamentais.

Liberdades

A luta continua

Andreia Pinto de Macedo
336

Chegou a hora de nos unirmos outra vez, renovarmos a política nacional e votar em alternativas partidárias porque, no fim, quem sofre com a incompetência política somos nós. A luta não acabou em 1974.

Educação

Ensino privado, de supletivo a parceiro

José Manuel Silva
104

O Estado é necessário, mas o seu longo braço não pode sufocar o país. No ensino a liberdade de escolha é irrevogável e o ensino privado deve ser um parceiro e não um apêndice supletivo e discriminado.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)