Buuu buuuu os robots vêm aí! Sim, virão. Mas bastante antes disso (não pense que tal acontecerá ali ao virar da esquina da próxima década) continuaremos a trabalhar muitos dias, muitas semanas e a assistir a uma implacável mudança nos ambientes de trabalho. Da crescente intensificação e complexificação de funções por um lado, à progressiva simplificação de outras, fruto do desenvolvimento tecnológico na automatização de tarefas, por outro.

Se nada de sistemático e generalizável acontecer na forma como se organiza e se realiza o trabalho, os trabalhadores vão continuar a adoecer, a ser menos produtivos, a concretizar menos o seu potencial e a envolverem-se e a comprometerem-se menos com as suas organizações, que constituirão elas mesmas locais de trabalho pouco saudáveis. Todos pagamos essa factura.

Ainda que muitos gestores e donos de empresas assobiem para o lado, não queiram saber e sacudam as suas responsabilidades (para além do mínimo que a lei actual os obriga) na protecção e promoção da saúde e bem-estar dos seus colaboradores, talvez seja melhor aqui lembrar que essa atitude é muito pouco inteligente. Que patrão não estaria interessado em reduzir os custos que tem com perda de produtividade associada ao absentismo e ao presentismo, calculados na ordem dos 329 milhões de euros por ano? É que 2 em cada 10 trabalhadores sofrem de problemas de saúde psicológica causados por efeitos negativos de factores laborais.

Refiro-me às causas do stresse ocupacional, de que são exemplo a falta de autonomia e controlo sobre as tarefas, conteúdo de trabalho sem significado para o colaborador, carga de trabalho superior à capacidade deste, horários de trabalho excessivos ou por turnos e com poucas e curtas pausas para descanso, indefinição de funções e do papel de cada um, a falta de comunicação interna, conflitos e má relação entre os trabalhadores, a ausência de fronteiras entre o trabalho e o lazer ou a dificuldade em equilibrar a vida pessoal, familiar e profissional, falta de oportunidades de promoção e de desenvolvimento, assédio, violência… Poderia continuar…

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