Foi o tema incontornável do último domingo. Lamento, mas não há como fugir ao assunto, por muito entediante que seja. Portanto, vamos mesmo ter de analisar a performance do cantor Bad Bunny no intervalo do chamado Super Bowl, que é como quem diz a Super Tigela lá do futebol americano.

Bom, desde já, quem é Bad Bunny? Para mim, Bad Bunny é tão só o mais famoso Bunny, logo após o Bugs Bunny, o Easter Bunny, o Duracell Bunny, todas as Playboy bunnies nas quais, por acidente, já coloquei a vista, e qualquer outro Bunny que me esteja a escapar e que só por isso não coloco à frente do Bad Bunny. Além disto, tudo o que conheço deste artista é aquele que parece ser o seu grande êxito: dizer pessimamente do Trump.

E imagino que por isso — mas mais ainda pelos dotes vocais e soberba poesia das letras —, Bad Bunny seja um predilecto da generalidade da comunicação social, usufruindo de uma popularidade quase tão incompreensível como o lamentável calção corsário para homem. Que, aposto, Bad Bunny usará, com aquela prosápia como quem diz “Hã, quem é o maior, a exibir esta peça de vestuário que não é um calção, mas também não chega a ser uma calça, quem é?”

De volta Trump. Até domingo à tarde, ainda pode ter havido a ténue expectativa de André Ventura substituir o presidente norte-americano no topo dos lideres mais odiados pela nossa imprensa, mas acabou por ser mesmo António José Seguro a garantir o cargo de mais alto político da nação cuja carreira partidária e profissional menos escrutínio merecem por parte daqueles cuja mais elementar função devia ser escrutinar o poder.

Seguro garantiu o cargo e de que maneira, que nunca tantos torceram tanto por tão poucochinho, como vimos na frente unida pelo ex-líder do PS. Há o clássico saco de gatos e depois houve esta trupe de apoiantes do Presidente socialista, que é um saco de gatos, despejado para dentro de um saco de ratos, ao qual foi acrescentado um saco de cães e que não fica fechado sem antes lhe juntarmos um saco de malta com alergia séria a pêlo de animais.

Agora, o plano quinquenal 2026-2031 é desfrutar de um Presidente que aplaudirá o resvalar de Portugal e da Europa para o Sul Global, em acordos vários com as Chinas e as Índias da vida, que desindustrializarão o que ainda houver por desindustrializar e exporão os cidadãos europeus, ainda por expor, à concorrência de mais magotes de trabalhadores imigrantes semi-escravos. É a isto que se chama “abrir caminho para uma sociedade socialista”, certo? Então, é preciso é respeitar a Constituição!

Lembram-se quando entrámos na CEE com o objectivo de nos juntarmos a países onde as pessoas viviam melhor, para podermos, também nós, aspirar a viver melhor? Ah, ah, ah! Éramos tão jovens e tão parvos, não éramos? É que, até certa altura, a coisa pareceu mesmo funcionar. Não, mas não. A melhor forma de garantir melhores condições de vida aos portugueses não é adotando as práticas de países onde as pessoas vivam melhor, é juntando-nos a países onde as pessoas vivam pior. Pior. Não é melhor. É pior. Soa pouco intuitivo? Pois, mas é o progresso, meus caros. Perguntem ao Presidente da República. Ao que está de saída, ou ao que está de entrada, é indiferente.

Sim, porque já começou a transferência pachorrenta de poder no Palácio de Belém. Isto depois da surpresa da noite eleitoral ter sido a reacção ao resultado de André Fim da Democracia Ventura. Mais uma vez se provou que Ventura é das ameaças mortais à democracia menos ameaçadoras e menos mortais de sempre para a democracia. A democracia está tão ameaçada por Ventura como um Queijo Serra está ameaçado por um indivíduo fortemente intolerante à lactose. Não quer dizer que não ataque à mesma o queijo, mas é certinho ser muito fácil apanhá-lo na casa de banho mais próxima. Não digo que seja inodoro apanhá-lo, mas fácil seria.

Enfim, Ventura nem uma tropa pronta a tomar o Palácio de Belém arranjou. Neste momento, estou certo que o líder do Chega revelar-se-á um indomável ditador se e quando as tramitações democráticas o permitirem: é o primeiro autocrata-burocrata da história.

Uma coisa é certa: quando o artista porto‑riquenho voltar a actuar em Portugal, Ventura dificilmente escapará a um sonoro “Fascista!” vindo do Bad Bunny. E, convenhamos, isso sim seria prestígio.