Confesso, com a amargura de quem acreditou genuinamente numa mudança, que a minha esperança se esvaiu. Escrevo estas linhas não apenas como um lisboeta exasperado, mas como um homem de direita que viu na eleição de Carlos Moedas a luz ao fundo do túnel, a promessa de resgatar Lisboa do descalabro socialista de Fernando Medina. Acreditámos que, finalmente, teríamos um gestor, um homem com mundo, capaz de pôr ordem na casa e devolver a capital à sua dignidade. Que engano profundo.

Ao cabo deste mandato, o balanço é desolador. A herança de Medina era pesada, é certo. Uma cidade já a ceder ao turismo low-cost, com o trânsito a complicar-se e uma certa sobranceria de quem se julga dono do poder. Mas o que fez a “nova liderança”? Rigorosamente nada para reverter o rumo; pelo contrário, parece ter carregado no acelerador da decadência.

A verdade nua e crua é que Lisboa está pior. Muito pior. Comecemos pelo óbvio, pelo teste de algodão de qualquer gestão autárquica: a mobilidade e o estado do espaço público. O trânsito, que já era mau, atingiu o nível do pandemónio. Não é apenas uma questão de mais carros; é a anarquia total. Entregues a uma selva de ciclovias vazias que estrangulam artérias vitais, os lisboetas que precisam de se deslocar para trabalhar vivem um calvário diário. A cidade foi entregue aos tuk-tuks que ziguezagueiam de forma perigosa, aos TVDE que param onde lhes apetece e a um exército de estafetas em mota que parecem operar sob uma lei própria. Para o cidadão comum, resta o stresse, a buzina e a sensação de que a sua cidade já não lhe pertence.

E o chão que pisamos? Lisboa é hoje uma capital de Terceiro Mundo no que toca à manutenção. Percorrer um passeio é uma prova de obstáculos, com buracos que são autênticas armadilhas para os mais idosos e calçadas rebentadas por todo o lado. Conduzir é um exercício de desvio constante de crateras. A par disto, a sujidade. Um manto pegajoso de imundície parece ter-se instalado cronicamente em bairros inteiros, do centro à periferia. O lixo acumulado tornou-se a banda sonora de muitas ruas. É uma vergonha.

Esperava-se de Moedas uma visão, uma estratégia, a mão firme de um gestor. O que recebemos? Um presidente-influencer, mais preocupado com a próxima coreografia no TikTok e o soundbite para as televisões do que com os problemas reais e rasteiros da governação. A sua gestão é feita de eventos, de cimeiras, de anúncios vagos e de um optimismo postiço que insulta a inteligência de quem vive o caos diário.

Para nós, que à direita vimos nele a alternativa à incompetência e à arrogância da esquerda, a desilusão é dupla. Não só os problemas estruturais se agravaram, como o fizeram sob a égide de uma liderança que se dizia pragmática e competente. Trocámos a gestão ideológica pela gestão do vazio, da imagem pela imagem.

Lisboa merecia muito mais. Merecia um presidente a tempo inteiro, não um animador digital. Merecia um autarca com coragem para tomar decisões impopulares, mas necessárias, não um gestor de redes sociais focado em métricas de vaidade. A esperança de 2021 deu lugar à certeza de que a cidade perdeu mais uns anos preciosos. Infelizmente, trocámos a incompetência arrogante pela inoperância sorridente. Para os lisboetas, o resultado é o mesmo: uma cidade em acelerado declínio.