O sistema internacional tende a ser uma arena competitiva, visto que nenhuma autoridade assegura os interesses vitais dos Estados, os recursos materiais são escassos, e a informação sobre as capacidades e intenções dos outros actores é limitada. Nestas condições, infelizmente, o dialógo meliano de Tucídides mantém-se actual, pelo que os países menos poderosos devem estar especialmente atentos às dinâmicas internacionais. Assim sendo, um pequeno país como Portugal necessita de conciliar alianças fiáveis com o desenvolvimento de capacidades militares e económicas que lhe permitam, dentro das suas possibilidades, aumentar a sua autonomia estratégica. Os candidatos à liderança do CDS-PP estão certamente cientes dessa necessidade, mas resta saber quem está mais inclinado para promover uma melhor adaptação da política externa portuguesa a um contexto internacional em transformação, onde desafios à nossa segurança coexistem com oportunidades económicas.

Por um lado, Portugal é um dos países mais seguros do mundo mas não pode fechar os olhos aos actuais e potenciais desafios à sua segurança. Existe uma competição entre grandes potências gerada pela multipolarização do sistema, a proliferação de armas de destruição maciça, conflitos que devastam regiões geograficamente próximas da União Europeia e cujas repercussões podem afectar directa e indirectamente a segurança da sociedade e economia portuguesas, redes transnacionais de terrorismo, degradação ambiental, e os riscos relacionados com novas e interligadas tecnologias ao nível da ciber-segurança, inteligência artificial, bio-segurança, e militarização espacial.

Por outro lado, existem oportunidades para crescer economicamente num sistema globalizado, marcado por um nível ímpar de interconectividade, fruto de avanços tecnológicos, infraestruturais e institucionais que facilitam as transacções, as deslocações e a troca de informação. Com um mercado interno de expressão reduzida e integrado numa economia global que privilegia a abertura, parece ser consensual que Portugal deve apostar não só no aumento das exportações mas também na diversificação sectorial, pelo que a política externa deve continuar a ter uma vertente económica que auxilia as empresas a explorarem novos mercados.

Neste contexto, creio que a política externa de Portugal deve complementar a prioritária prossecução do interesse nacional – atenta a dinâmicas essenciais para a segurança e prosperidade do nosso país  – com a defesa dos imperativos morais de um Estado de direito democrático e defensor da dignidade humana que visa contribuir para a construção de um mundo em paz, solidário e baseado num modelo de desenvolvimento sustentável, não obstante as tendências competitivas dos Estados. Essa política externa, multilateralista por excelência, deve continuar a assentar nos pilares do Atlântico, Europa e Lusofonia.

Acredito que o Francisco Rodrigues dos Santos (FRS) é o candidato que está em melhores condições para promover essa política externa devido a dois factores: o seu conservadorismo político e o seu dinamismo renovador.

Em primeiro lugar, tendo em conta que o conservadorismo político assenta especialmente bem à política externa realista de que Portugal necessita, o FRS é quem mais se identifica com a essência do conservadorismo democrático, que bebe não só de Edmund Burke mas também do trabalho recente de autores como Roger Scruton. Em todos os candidatos à liderança do partido reconhece-se, directa ou indirectamente, um pensamento conservador, mas o FRS é o mais assertivo no reconhecimento de princípios conservadores fundamentais, como o reconhecimento das falências da natureza humana, a valorização do indivíduo em detrimento do Estado, o respeito pelas tradições compatíveis com a moralidade, e a preferência por mudanças graduais em vez de transformações revolucionárias.

Em segundo lugar, o seu dinamismo renovador não se aplica somente a questões de política doméstica. É ideal para o desenvolvimento de uma estratégia abrangente e ponderada de política externa que identifique com clareza as nossas preferências e linhas de acção política e também para o fortalecimento das forças armadas e do corpo diplomático, actores essenciais da política externa que têm alcançado feitos notáveis apesar dos recursos limitados. Estas tarefas implicam energia e coragem política, dado que envolvem repensar a alocação de recursos orçamentais.

O CDS-PP continua a ser um partido com vocação governativa, enfrentando com serenidade um período menos positivo e preparando-se com rigor para voltar a desempenhar um papel político mais activo num ciclo futuro de governação. Neste sentido, a política externa portuguesa terá a lucrar com uma direita conservadora renovada e liderada pelo FRS, um candidato que conhece a lógica com que se tecem as relações internacionais e que apresenta o dinamismo necessário para promover a optimização da nossa política externa.