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Foi este sábado que o escândalo do século abalou o continente e as ilhas adjacentes. Houve manchetes e artigos de fazer tremer os vidros nas janelas. As redes sociais ferveram. Não sei se alguém desceu à rua ou já fez queixa à PGR. O facto é que um deputado português escreveu, há uns anos, uma tese de doutoramento em que se “preocupava com a discriminação das minorias” (sic). Sim, isso mesmo. Mas antes de rirem, notem: esse deputado é André Ventura – o mesmo Ventura a quem o regime confiou o encargo de representar o racismo em Portugal. Acontece que o homem de quem se esperava a reintrodução da escravatura em Portugal se inquieta, afinal, com a estigmatização dos imigrantes. Já não se pode acreditar em ninguém.

Enfim, de vez em quando, parece que precisamos de provar ao mundo que temos uma civilização original. Noutros países, o costume é embaraçar os políticos com velhos lapsos politicamente incorrectos. Foi assim que Justin Trudeau se viu em apuros no Canadá, quando apareceram fotos suas em “blackface”. Em Portugal, porém, o jogo é outro: descobrir a virtude de quem passa por pecador, denunciar os cordeiros vestidos com pele de lobo, expor a bondade dos malvados.

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