O anúncio da não recandidatura de Angela Merkel à presidência da CDU representa a vários títulos o fim de um capítulo da História alemã e europeia.

Não é uma surpresa. Apesar da derrota em Hesse, onde a CDU obteve o pior resultado em 42 anos, é uma renúncia anunciada. Os sinais, como pedras no caminho irremovíveis, vêm de trás.

Talvez tenha sido quando há cerca de quinze dias a CSU, aliado próximo da CDU de Merkel, foi derrotada na Baviera, anunciando o fim do seguro de vida político que era a eterna aliança CDU-CSU. Talvez tenha sido quando, há cerca de um mês, o seu aliado e líder parlamentar do partido, Volker Kauder, perdeu o cargo para Ralph Brinkhaus, um crítico habitual de Merkel, numa votação secreta da CDU. Talvez tenha ainda sido a vitória eleitoral de Pirro do ano passado, que obriga Merkel a governar em coligação com a CSU e o SPD, sem entusiasmo nem facilidade; os choques com Horst Seehofer, ministro do Interior e Presidente da CSU contribuem para esse desencanto.

Talvez tenha até sido antes, na vitória eleitoral que foi o seu auge – em 2013 –, quando obteve um dos melhores resultados eleitorais de sempre do partido, ou dois anos antes, nas eleições regionais, em que perdeu em muitos Estados. Ou ainda no início, no meio e próximo do fim da grande crise da zona euro, em que a Alemanha foi, para o bem e para o mal, e uma vez mais, grande protagonista, liderando a resposta e dando ao BCE a cobertura necessária para fazer…o necessário, mesmo que na aparência fosse ao contrário.

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